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Estatal 'esquecida' na Bolsa dispara até 300% após rumor sobre fusão; mas dá para se animar?

Euforia fez ação superar em 230 vezes seu volume financeiro médio diário dos últimos 21 pregões.

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SÃO PAULO - Uma ação que parecia esquecida na Bolsa, depois de sair de cerca de R$ 30,00 em fevereiro de 2010 para R$ 0,56 ontem (queda de 98%), voltou ao holofote do mercado nesta segunda-feira (11). 

Os papéis da estatal Telebras (TELB4), que não ultrapassavam o patamar de R$ 1,00 desde agosto do ano passado (sendo considerado uma "penny stock"), chegaram a disparar impressionantes 300% nesta sessão, a R$ 2,24, mas amenizavam a alta próximo ao final do pregão. Às 17h46 (horário de Brasília), as ações subiam 187%, a R$ 1,61.  

Mas não foi apenas a variação que chamou atenção, o papel, que movimentava, em média, R$ 10,6 mil por dia na Bolsa, encerrou a sessão com giro financeiro de R$ 2,46 milhões - cerca de 230 vezes acima da média diária dos últimos 21 pregões. 

Por trás da disparada, há uma notícia da Folha de S. Paulo de que o governo federal estuda fusão entre a Telebras, Serpro e Dataprev para criar uma megaestatal de tecnologia da informação e comunicação, com objetivo de centralizar tanto seus passivos (dívidas e obrigações quanto seus serviços). 

A 'megaestatal'
Se o projeto andar, a nova estatal nasceria com um capital superior a R$ 5 bilhões e com 7.000 empregados, contra uma Telebras que atualmente vale R$ 254,3 milhões na Bovespa (segundo cotação de sexta-feira). 

"Não justifica hoje você ter três empresas com mais ou menos o mesmo padrão e não ter uma unidade. Ao invés de ficar as três se degladiando, elas precisam unir suas operações, ainda mais em um momento em que se vê a necessidade de corte de custos", disse Guilherme Canaan, ex-conselheiro da Telebras, entre 2012 e 2013, ao InfoMoney.

Procurado pelo InfoMoney, o departamento de Relações com Investidores da Telebras disse que responderia somente amanhã à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) questionamento sobre os rumores e as oscilações das ações. 

O estudo, realizado pelo Ministério do Planejamento, foi entregue no final de 2015 aos presidentes das companhias, que ainda o consideram preliminar. Amanhã, os presidentes das três companhias vão se reunir na sede da Dataprev, em Brasília, para discutir novas parcerias e integração de serviços. 

Por que tanta euforia?
Segundo Canaan, uma operação como essa seria "excelente" para a Telebras, que estaria antecipando recebíveis consideráveis com essa fusão. A companhia é a única das três estatais que não registra lucros consistentes hoje em dia, assim como faturamento. Dataprev e Serpro somaram R$ 3 bilhões em faturamento em 2014. 

"Hoje, há um clamor maior para a fusão, contra a época em que o estudo foi realizado pelo Ministério do Planejamento (final de 2015), e, por isso, faz tanto barulho nos papéis. A Dataprev percebeu que, com o tempo, não terá caixa suficiente para realizar seus investimentos, contra uma concorrente (Telebras) que virá com uma estrutura pesada", comenta Canaan. A Telebras não tem faturamento, mas tem o mais importante que é a fibra ótica e já apresentou cronograma de fluxo de caixa. "É questão de tempo para que saía essa operação, mas tem que lembrar que no âmbito das estatais as coisas andam a passos lentos", frisou.

Para ele, é uma "necessidade" essas três empresas se fundirem para criar um grande player nacional, dado que hoje as telecoms estão dadas nas mãos dos estrangeiros, com exceção da Oi, mas que não tem capacidade de investimento. "A ação é tecnicamente quebrada, eles estão vendendo o almoço para pagar a janta", disse. 

Apesar da inicial euforia do mercado, o analista Flávio Conde, da Whatscall Consultoria, ressaltou que é importante não se empolgar com movimentos como esse, ainda mais de uma ação que vem de forte desvalorização na Bolsa, como a Telebras. "Vira e mexe surgem boatos da empresa, mas que não levam a um movimento consistente na Bolsa. A empresa não vale nada. Se subir 100%, 200% em um dia, isso não quer dizer muita coisa", comentou. Dado o histórico da ação, Conde reforça: "eu ficaria fora dessa ação".


 

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