Em telebras

Especulação? Ação da Telebras sobe mais de 20% após ativar fibra ótica

De acordo com Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora, papéis são puramente "especulativos"

orelhão Brasília - telefonia - Anatel
(Marcello Casal Jr./ABr)

Publicada originalmente às 14h09 (horário de Brasília)

SÃO PAULO - As ações da Telebras (TELB4) dispararam 21,49% no pregão desta sexta-feira (7), atingindo os R$ 7,97. Amenizando os ganhos, a ação da estatal avança 14,33% por volta das 16h25, atingindo os R$ 7,50. 

O papel reflete a notícia de que a empresa ativou, na última quinta, 4,6 mil quilômetros de rede de fibras óticas em nove estados brasileiros - notícia que pode permitir novas ofertas do PNBL (Programa Nacional de Banda Larga). "Esse papel é puramente especulativo, qualquer notícia que sai acaba acontecendo esse movimento forte", afirma Pedro Galdi, analista-chefe da SLW Corretora. 

Com a ativação dessa rede, a empresa agora está presente em 21 estados e poderá oferecer banda larga de 2 mbps por R$ 35, em estados com ICMS (Imposto Circulação Mercadorias e Serviços) ou R$ 29,90. Não é a primeira vez que a empresa reage com agressividade à uma notícia dessas: em outubro, após a empresa anunciar uma parceria com a TIM Participações (TIMP3), os papéis chegaram a dobrar de valor em apenas dois dias

Mesmo com esses movimentos altamente violentos, a ação da estatal - única empresa do governo federal na BM&FBovespa a ver seu valor de mercado avançar no governo Dilma Rousseff - acumula perdas de 57,60% no ano. "Este é um papel sem liquidez nenhuma, e por isso é tão especulativo assim", diz Galdi. 

Ele destaca o passado da Telebras - empresa que foi esvaziada no governo Fernando Henrique Cardoso, e fez com que a ação, que não parou de ser negociada, refletisse uma empresa "oca", um papel que refletia apenas a especulação de que um dia a empresa fosse reativada.

E isso ocorreu, mas o cenário de incertezas sobre ela faz com que as negociações reflitam mais expectativas do que fatos reais. "O governo foi achando coisa para a empresa fazer, mas hoje o papel ainda está assim", diz Galdi.

Guilherme Canaan, analista da Corval Corretora, acredita que mesmo com essa pressão especulativa, há muita gente que acredita no papel no longo prazo. "Ela já é uma empresa, deixou der ser um esqueleto, e parte do mercado já a trata assim, embora outra parte não", avalia o analista - acreditando que o papel deverá mostrar valorização conforme a situação da empresa ganhe melhor visibilidade. 

 

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