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As ações que devem levar a melhor em abril, segundo a XP

Em entrevista exclusiva, Betina Roxo, analista de ações da XP Investimentos, explicou as principais mudanças na carteira para o mês

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(Shutterstock)
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SÃO PAULO – Um mês memorável, mas que muitos gostariam de esquecer. Em março, o Ibovespa acumulou queda de 29,90%, maior recuo mensal em 22 anos, com direito a 6 circuit breakers – mecanismo emergencial que interrompe as negociações quando a queda do Ibovespa ultrapassa determinados limites.

A cotação do dólar comercial, por sua vez, saltou 15,96% no período, encerrando em R$ 5,194 no último pregão do mês.

Diante do cenário ainda nebuloso, a XP Investimentos realizou algumas mudanças em sua carteira recomendada de ações para abril. Betina Roxo, analista da XP Investimentos, foi a convidada desta quarta-feira do quadro Coffee & Stocks, do Stock Pickers, e explicou cada uma delas.

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O melhor ataque é a defesa?

Durante entrevista ao analista Thiago Salomão, Betina contou que a XP optou por tornar a carteira um pouco mais defensiva, além de reduzir o target do Ibovespa para 94 mil pontos para o fim de 2020.

Para lidar com o cenário, a casa preferiu reduzir a posição em empresas domésticas e adicionar mais peso a nomes expostos à economia global.

Entre as mudanças realizadas na carteira da XP para abril, a analista citou a substituição de Ecorodovias, Cyrela, Lojas Renner, Via Varejo e Iguatemi por JBS, Marfrig, Vale, Suzano e Grupo Pão de Açúcar. Clique aqui para ver a carteira completa.

“No mês passado, fizemos uma mudança extraordinária, justamente para colocar nomes mais resilientes, foi quando colocamos Ambev e Copel. Em abril, a gente diminuiu a exposição ligada ao ciclo doméstico, uma vez que devemos ter impactos significativos da quarentena por aqui”, afirmou Betina.

O setor de proteínas

Sobre a escolha de adicionar JBS e Marfrig à carteira de abril, Betina destacou a importância da exposição ao mercado americano.

“Mais de 70% da receita das duas vêm das operações dos EUA, que é um país em que a demanda está indo bem, onde o consumo de alimentos é diferente, já que eles estocam mais comida, e têm uma renda disponível maior que o Brasil”, explicou ela.

Betina também citou alguns pontos que foram levados em conta para o stock picking, como margens de operações mais estáveis, exposição favorável à alta do dólar e o aumento da procura por alimentos.

“Vale dizer também que essas empresas possuem exposição à China, país que já está normalizando a sua rotina, depois de ter sido atingido pelo coronavírus”, ressaltou.

As commodities

A XP também optou por adicionar Vale e Suzano a sua carteira recomendada. Segundo Betina, ambas as empresas tendem a se beneficiar da recuperação da atividade econômica chinesa e dos preços de suas respectivas commodities no país asiático.

“A China já iniciou uma trajetória de retomada da economia e pode ter mais impulso de estímulos do governo. No caso da Vale, o preço do minério acabou não caindo tanto, e existe uma relação de oferta e demanda equilibrada. Não enxergamos espaço para as mineradoras produzirem acima do estimado no início do ano”, afirmou, acrescentando que o preço das ações da empresa também está bastante atrativo.

“A Vale está negociando a 3x EV/EBITDA para 2020 e estimamos 13% de retorno com geração de caixa em 2020”, disse a analista durante a entrevista.

Sobre a Suzano, Betina afirmou que o volume de vendas da empresa não deve sofrer grandes impactos por conta do coronavírus.

Segundo ela, outro ponto levado em consideração foi o endividamento da empresa. Embora a companhia tenha uma alavancagem elevada, a Suzano tem caixa para honrar com suas dívidas de curto prazo.

“80% das receitas contra apenas 15% dos custos da Suzano são em dólar, então a companhia será favorecida em caso de manutenção do câmbio em patamares elevados. Com isso, esperamos um retorno de geração de caixa em torno dos 10% em 2020”, afirmou.

O setor de varejo

Entre as varejistas, a XP optou por adicionar as ações do Grupo Pão de Açúcar entre suas recomendações para abril. Dentre os motivos para tal mudança, Betina explicou que, hoje, as ações do grupo oferecem uma combinação de resiliência no curto prazo e uma relação risco-retorno atrativa.

“Nós acreditamos que empresas relacionadas ao consumo básico (alimentação e saúde) devem ser as menos impactadas pela crise. Nesse cenário, o GPA vem se beneficiando de um aumento importante de vendas no curto prazo, não só em função da estocagem de produtos durante o período de quarentena, mas também por um aumento no consumo das famílias e da alimentação dentro de casa”, afirmou a analista.

Betina também destacou o nível de preços em que as ações do grupo vêm sendo negociadas – depois de uma queda de 30% desde o final de janeiro -, em comparação ao Carrefour, seu principal concorrente.

A entrevista de Betina faz parte de uma série de conversas do Stock Pickers com os maiores especialistas em ações do Brasil.

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