Stock Pickers

A corrida do e-commerce e os vendedores de pás

As duas formas não tradicionais de ganhar dinheiro no e-commerce

Texto originalmente enviado aos assinantes da newsletter Stock Pickers no sábado, 18 de setembro de 2021. Para recebê-la, clique aqui.

Entre 1848 e 1853, milhares de pessoas migraram de outras regiões do Estados Unidos para a Califórnia em busca de ouro.

As primeiras pepitas foram encontradas em um leito de rio em Sierra Nevada e logo a história da descoberta se espalhou e atraiu garimpeiros em busca de riqueza.

Estima-se que cerca de US$ 2 bilhões de dólares (em valores atualizados) em ouro foram extraídos, mas muita gente não conseguiu tirar da terra nada além de terra.

Paradoxalmente, para muitos a corrida do ouro foi uma maratona na direção da ruína financeira. Por isso a frase “na corrida do ouro, fica rico quem vende pá” se popularizou, pois a possibilidade de ganhos indiretos com aquela euforia era maior para quem vendia ferramentas, pois tanto vencedores quantos perdedores precisavam de pás e picaretas para tentar.

Estima-se que cerca de 300 mil pessoas participaram dessa corrida. É um TAM (Mercado Total Endereçável) razoável para um período em que a maior cidade dos EUA, Nova York , tinha 312 mil habitantes.

No episódio #114, nosso convidado não veio falar de ouro e nem mineração, porém nos explicou duas teses que se assemelham com a ideia de venda de pás numa corrida por ouro.

corrida que falamos foi a do e-commerce e as “pás” são os serviços que outras empresas prestam para os players deste setor.

O e-commerce brasileiro cresceu vertiginosamente nos últimos anos e durante a pandemia acelerou ainda mais. O setor que em 2001 faturou aproximadamente R$ 500 milhões, vendeu, somente no primeiro semestre de 2021, R$ 53,4 bilhões.

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No ano passado, por conta das restrições impostas ao comércio físico durante a pandemia, o setor cresceu 75% em relação a 2019. Apesar disso, ainda tem muito espaço para crescer, porque representa apenas 11% das vendas do varejo.

Quando se fala em e-commerce, você deve se lembrar de Mercado Livre, Magazine Luiza, e outros grandes players. Mas nunca deve ter parado para pensar em toda a estrutura necessária para fazer aquele produto que você pede do sofá chegar até você.

E é justamente aí que entram as duas empresas apresentadas por Bruno Rignel, da Alpha Key, vendendo “pás” para os e-commerces.

Com menos de 1 ano na bolsa, a Sequoia (SEQL3) é uma empresa de logística fundada em 1996 e líder em seu setor no Brasil considerando apenas as empresas privadas e a quantidade de entregas realizadas em todo e-commerce nacional.

Apesar de não ter entrado na oferta, Rignel montou posição logo após a divulgação do primeiro resultado, porque, basicamente, quando qualquer uma das empresas que a Sequioa atende (Magazine Luiza, Amazon, Mercado Livre, Shopee e Via Varejo) cresce, ela também pode crescer.

Além da logística, há um outro segmento que também se beneficia do crescimento dos e-commerces: provedores digitais de soluções antifraude.

Infelizmente, como Rignel  comentou no episódio, o Brasil é líder em inovação de fraudes na internet. E isso faz com que empresas como a ClearSale (CSLA3), a outra vendedora de “pás” da Alpha Key, tenha muito trabalho por aqui.

Com IPO recente, a ClearSale atende e-commerces de grande porte como Magazine Luiza, Via e Americanas com um serviço que calcula o grau de propensão à fraude em cada pedido e aumenta a eficiência das plataformas.

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Logicamente, quanto mais os e-commerces vendem, mais serviço a ClearSale tem. É óbvio que na corrida do e-commerce não é só o “vendedor de pá” que ganha dinheiro. Os líderes do setor vão muito bem, mas podem apresentar valuations considerados esticados e, neste caso, olhar os fornecedores de serviços pode ser uma boa opção para se expor ao crescimento desse mercado.

Se você ficou interessado em saber mais sobre o modelo de negócio dessas duas vendedoras de “pás”, não perca a análise que o Rignel fez no episódio #114. Ele falou sobre riscos, valuation e perspectivas de cada uma das “vendedores de pás”.

Além das duas teses, Rignel comentou também o impacto da abertura da curva de juros que vimos nos últimos meses na bolsa.

Com esse tweet do Faria Lima Elevator fica fácil entender a ligação entre uma coisa e outra:

Na quarta-feira que vem (22/09), tem reunião do Copom para decidir mais uma vez qual será a taxa básica de juros (Selic) para os próximos 45 dias.

A expectativa é de aumento e isso pode ser visto no mercado de opções de Copom. Parece mais uma loucura do mercado isso, mas não é tão difícil entender.

Cada contrato indica uma possível decisão sobre a Selic (queda, alta ou manutenção do juro) e todos esses contratos vencem no dia da respectiva reunião. Os contratos são negociados entre R$ 0,01 e R$ 99,99, onde cada centavo indica a probabilidade deste evento acontecer (ou seja, um contrato de R$ 80,00 indica 80% de probabilidade daquele evento acontecer). O contrato que “acertar” o que o Copom definiu passará a valer R$ 100,00 na quinta-feira (pregão pós-Copom).

No dia 14/09, o mercado precificava o aumento de +100bps na próxima reunião:

Como de costume, na segunda-feira (20/09), iremos conversar com um especialista em opções, Anibal Furuguem, Operador de Mesa da XP, para falar sobre a expectativa para a reunião de quarta e explicar tudo que você precisa saber sobre esse mercado às 8h no YouTube (ative a notificação aqui).

Josué Guedes
CMO do Stock Pickers

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