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Santander Brasil tem resultado acima do esperado, mas problemático na qualidade, dizem analistas

Nível atipicamente baixo de impostos beneficiou a margem final do banco no país, destacam analistas  

Santander
(Heino Kalis/Reuters)

SÃO PAULO – O Santander (SANB11) divulgou na manhã desta quarta-feira (30) o balanço referente aos resultados financeiros dos últimos 3 meses de 2018, além do consolidado anual.

Em geral, os números superaram expectativas de analistas e representaram um ano sólido para a empresa. Olhando no detalhe, porém, há alguns fios soltos que prejudicam a qualidade do ativo, de acordo com analistas.

“Observamos uma leve deterioração na qualidade e recorrência, uma vez que os fatores sazonais e a alíquota de imposto compensaram a expansão das provisões”, destacou a XP Research em relatório nesta manhã.

Em alíquota efetiva, o banco pagou imposto de renda de 22,7% no trimestre – o comum, apresentado no mesmo período de 2017, é o pagamento de 36,4%. Isso ajudou o lucro líquido a chegar em R$ 3,4 bilhões, acima da expectativa consensual do mercado divulgada pela Bloomberg.

O analista Rafael Frade, do Bradesco BBI, destaca outro ponto negativo: o custo do risco. A receita líquida de juros (net interest income, ou NII) cresceu 1,1% trimestralmente, o que demonstra margens fracas se considerado o crescimento de 2,3% na carteira de crédito. O custo de crédito (utilizado para medir taxa de risco) voltou ao nível de 2017, a 3,5%. 

“Vemos aqui o ponto negativo principal do trimestre”, escreve o analista. “Esperávamos normalização desse indicador, já que um caso específico não divulgado impactou os números em R$ 300 milhões no terceiro trimestre”, aponta. “Os resultados trimestrais foram decepcionantes”, conclui a análise do BBI.

E o que foi bom?

Para o ano como um todo, o banco apresentou números sólidos. O Brasil foi, inclusive, o país que mais gerou resultado para o banco espanhol em 2018, com lucro de 2,6 bilhões de euros (R$ 12,4 bilhões)

O retorno sobre o patrimônio (ROE, na sigla em inglês, que representa a capacidade de agregar valor a partir de recursos próprios), atingiu 19,9% - um salto na comparação com os 16,9% de 2017. No trimestre, esse indicador passou de 20% pela primeira vez, atingindo o nível mais alto desde o IPO (21,1%).

Um destaque positivo veio nas receitas de serviços, que cresceram 14,3% na comparação com o trimestre anterior. Este indicador, porém, se beneficiou de efeitos sazonais, destaca a XP, com números mais robustos em seguros e adquirência – a maquininha Getnet ganhou participação importante no mercado.

A ação do banco listada na bolsa brasileira abriu o pregão em queda. Às 10h50, era negociada a -2,82%, ante alta de 1,3% do Ibovespa.

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