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Vamos converter nossas ações da Sanepar em units e recomendamos que façam o mesmo, diz XP Gestão

Os últimos eventos trouxeram boas notícias para os investidores da empresa de saneamento da Sanepar

Sanepar
(Divulgação/Sanepar)

SÃO PAULO - Para aqueles que possuem a ação da Sanepar (SAPR4) e acompanharam toda a saga da estatal, que resultou em decepção após o resultado da revisão tarifária, o último mês trouxe mais emoções e boas novas para a companhia. 

O catalisador deste movimento foi a proposta da estatal paranaense de saneamento para um programa de units, de olhe na venda do excedente do controle acionário que o governo possui na companhia. O Paraná possui 90% das ações ordinárias, com direito a voto, e gostaria de ter apenas 60%, mas precisa de liquidez (o que não ocorre com os ativos ON). Para tanto, foi proposta a conversão dos papéis em units na proporção de um para um, apesar da maior liquidez das PNs e do dividendo 10% maior. 

Porém, essa não foi a grande questão para os acionistas minoritários, conforme destacou a XP Gestão, acionista da companhia, em carta de estratégia do mês de setembro. Os acionistas queriam maior clareza nos parâmetros a serem estabelecidos pela Agepar (Agência Reguladora do Paraná), cuja revisão causou grande dor de cabeça para eles no primeiro semestre. 

A proposta dos minoritários era também por uma cláusula no acordo de acionistas para que se assegurasse "a observância dos regulamentos vigentes expedidos pela agência reguladora do Paraná”. Mas, além disso, exigia-se um dispositivo estabelecendo que qualquer alteração no texto seja submetida ao representante dos minoritários no Conselho. Isso porque, sem este, nada impediria que um novo representante do controlador retirasse do texto a demanda sobre o repasse proposta pela Agepar. 

No final de outubro, a segunda demanda foi atendida, levando a um maior otimismo sobre a companhia. Porém, ainda faltava uma mudança essencial: a maior clareza por parte da Agepar de como são feitos os reajustes através da divulgação das fórmulas para os cálculos pendentes para o período de 2018 a 2024. 

O progresso foi demorado e muitos minoritários destacaram a insatisfação com o processo de evolução da governança corporativa da companhia, principalmente por se tratar de uma proposta que era positiva para todos. 

Na carta do mês de outubro, a XP Gestão apontou que, após a primeira etapa vencida, ainda havia a dúvida relevante de que como seriam esses reajustes. "E se, na caixa-preta, o reajuste viesse outro qualquer, pior do que o esperado?"

A resposta sobre esse assunto veio no dia 9 de novembro, gerando alívio aos investidores: através do Ofício nº345/2017/GAB, as fórmulas da Agepar foram publicadas. Não houve maiores surpresas: elas confirmaram o aumento real de cerca de 4,5% ao ano. Contudo, houve uma grande redução nos riscos, trazendo maior clareza sobre o que vem pela frente, ao trazer questões que ainda estavam pendentes na nota técnica publicada em abril, além de haver maior segurança sobre os repasses lá na frente. 

Com os avanços feitos, a XP Gestão destacou em sua carta que irá "converter as ações preferenciais em units já na primeira janela de conversão, recomendando a outros acionistas que façam o mesmo". 

"Acreditamos que com essas ferramentas, analistas locais e estrangeiros poderão fazer estudos, calcular o valor justo e a probabilidade que acreditam em cada cenário e concluir se essa ação merece ou não tamanho desconto", avaliam os gestores, ao ressaltar que a assimetria de valor é muito grande para os papéis, que está estacionado desde o reajuste na faixa dos R$ 10,00. 

Apesar de satisfeitos, os gestores da XP Gestão apontam outras demandas, como uma política de dividendos mínimos de 50% ao contrário dos 25% atuais. "Apesar de não termos tido sucesso, continuaremos a debater a importância de uma política previsível de dividendos que certamente resultará em uma maior credibilidade em relação à disciplina financeira da empresa. O trabalho não acabou", avaliam. 

 

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