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Uma das melhores ações da bolsa na década cai forte em 2018 - e Credit faz revisão "extrema" em recomendação

Credit destaca que a RD foi uma dos top picks por muitos anos, mas desaceleração em vendas e concorrência fizeram com que recomendação passasse de outperform para underperform

Drogasil 03 - Dentro da loja - Funcionária mostra mercadoria
(Divulgação Drogasil)

SÃO PAULO - Altas consecutivas por 4 anos, passando à margem dos momentos de crise econômica no País (e também de queda do Ibovespa), em meio à sua ótima execução e aproveitando-se da tendência de envelhecimento da população brasileira. Porém, esse movimento não se repete em 2018. 

Após anos "surfando" na bolsa com alta superior a 500% desde 2014, as ações da RD (RADL3) enfrentam forte queda: os papéis RADL3 chegaram a uma máxima histórica de R$ 92,09 no primeiro dia de 2018 mas, desde então, não pararam de cair, acumulando perdas de 26% no ano. 

Nesta sexta-feira (6), mais um dia de queda, com os papéis RADL3 chegando a cair 5,34% na mínima do dia com uma mudança de recomendação bastante contundente feita pelo Credit Suisse. A recomendação teve uma revisão extrema para baixo, passando de outperform (desempenho acima da média do mercado) para underperform (desempenho abaixo da média do mercado, ou equivalente à venda), com o preço-alvo sendo reduzido em 15%, de R$ 80 para R$ 68. Às 12h12 (horário de Brasília, os papéis eram cotados a R$ 68,28 - ou seja, sem potencial de valorização. 

Os analistas do Credit Suisse destacam que a RD foi um dos top picks do banco suíço no setor de consumo por muitos anos. "O desempenho ficou acima das nossas expectativas e o papel superou o Ibovespa em 331% desde o início de 2014. A constante melhoria na execução, crescimento secular da indústria e ambiente competitivo relativamente favorável podem ser apontados como os pilares para o rali excepcional da RD", avaliam. 

A forte governança corporativa, o perfil defensivo, o potencial de crescimento de longo prazo e a maior liquidez foram pontos ressaltados pela análise do Credit para reforçarem a visão positiva por tanto tempo.

Boa, mas...


O Credit revisou o case e aponta que boa parte dos catalisadores continua válidos. Mas, desde o segundo trimestre, os números de vendas nas mesmas lojas vem desapontando consecutivamente. Também há a sinalização de que a empresa está  diante de um patamar mais baixo de crescimento por algum tempo, principalmente em função da menor inflação, maior competição e algum tipo de canibalização em alguns pontos.

"As vendas nas mesmas lojas chegaram próximas de 2% nas lojas maduras, número que pode ser comparado a 9% nos últimos 10 trimestres. Considerando a queda de inflação e o aumento dos preços dos medicamentos (5% em abril de 2017), parece natural que a receita desacelere", afirmam os analistas. 

O Credit aponta que o ritmo da queda foi mais rápido do que o esperado com vendas das lojas maduras, chegando a 1% no quarto trimestre de 2017 e com algumas sinalizações de que seguirá fraco para o primeiro trimestre de 2018. 

De qualquer forma, a expectativa de crescimento da RD ainda continua razoável, com avanço em lucros de 17% e 16% em 2018 e 2019, respectivamente. Porém, esses números não justificam o atual preço dos papéis - ou seja, a ação, na avaliação dos analistas, ficou cara demais, além de acreditarem que os números do consenso precisam ser revisados para baixo. 

 Vale ressaltar que a ação da RD está na Carteira InfoMoney de abril (para conferir, clique aqui); nesta sexta, o analista do portfólio Thiago Salomão destacou aos alunos do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora" e aos assinantes do relatório Carteira InfoMoney Premium como se posicionará em meio a esse novo cenário para os papéis. 

Boa gestão e qualidade seguem sendo os pontos de destaque para a RD. Contudo, a ação da companhia vem perdendo o seu brilho em meio à competição e ao crescimento se desacelerando, fazendo com que muitos investidores se afastem do papel. E, para reverter essa trajetória, a companhia terá que mostrar que é ainda mais resiliente do que foi nesses últimos anos. 

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