Críticas à Dilma

Vice do PSDB diz que governo está num apagão permanente e sugere impeachment de Dilma

Em artigo, Alberto Goldman afirmou que é preciso pensar numa maneira de fazer uma "transição democrática"

SÃO PAULO – O vice-presidente do PSDB Alberto Goldman teceu críticas bastante contundentes à presidente Dilma Rousseff em texto em seu blog

Em seu texto, apesar de não mencionar o termo, o tucano sugeriu o impeachment de Dilma ao dizer que é “tarefa” da oposição, diante da crise econômica e dos desdobramentos das investigações de corrupção na Petrobras, pensar numa maneira de fazer uma “transição democrática”. Isso porque a petista não teria condições políticas de terminar o mandato.

Ao ser perguntado pelo jornal O Estado de S. Paulo, se estava sugerindo que a oposição deveria entrar com um pedido de impeachment contra Dilma, Goldman afirmou que esse seria “um caminho legal”, mas que era preciso debater o assunto, porque ele ainda não tinha “uma resposta”. 

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O vice-presidente do PSDB destacou que o início desta semana pareceu um prenúncio do “fim do mundo”. Isso por que na segunda-feira, 19, o País passou um por um apagão de energia que atingiu 10 Estados e o Distrito Federal.

Goldman também criticou os recentes anúncios de aumento de impostos feitos pela equipe econômica do governo. Ele ainda destacou o escândalo da Petrobras que, segundo ele, mostra “uma total deterioração do governo e dos partidos que o sustentam”.

Confira o texto na íntegra: 

O que vai sobrar do governo Dilma? O que vai sobrar da presidente?

Cada dia que passa, nesse primeiro ano do governo da reeleição, o quadro se desenha mais grave.

Esta semana, então, que só está começando, parece o fim do mundo. Chegou o apagão. Sim aquele mesmo que nunca viria, promessa de Dilma. Ah, sim, existem razões objetivas para isso, o calor e a seca não são de rua responsabilidade. Mas é de sua responsabilidade a desestruturação total do setor elétrico, promovida para que se pudesse apresentar, antes das eleições, um tarifa de energia elétrica mais baixa. O setor entrou em crise, até hoje tem mundos de dinheiro a receber, do governo e, em consequência, dos usuários, o que o levou a apertar custos de manutenção e a adiar investimentos. Está em stress permanente. Apesar da nossa indústria estar andando para trás, ainda assim o Operador Nacional do Sistema elétrico pediu aos grandes consumidores que diminuíssem a demanda. Se tivéssemos algum crescimento econômico o apagão seria muito mais geral e profundo.

Mas o governo está sob um apagão permanente. E não será a equipe de resgate ( Joaquim Levy e companhia ) que vai tirá-la da UTI. Vão usando todos os remédios que Dilma disse que não usaria, contra os pensionistas, contra os desempregados, contra as conquistas trabalhistas. Vão aumentar impostos, a Cide, o Pis/Cofins, o IOF, aumentar tarifas de serviços públicos, aumentar a taxa básica dos juros. Tudo isso é paliativo para chegar aos míseros 1,2% do PIB de superávit nas contas públicas ( apenas 66 bilhões para pagar uma dívida que cresce 240 bilhões em um ano ). Os investimentos continuam baixos, a inflação alta, os juros altos, a criação de postos de emprego baixa, o comércio e o consumo em baixa, a credibilidade e o crescimento empatados em zero.

Não é só. As investigações em diversas áreas do governo, em especial na Petrobras, mostram uma total deterioração do governo e dos partidos que o sustentam. Diretores são presos e processados, e se acusam uns aos outros. Até o ex diretor,Nestor Cerveró, que tinha dado uma de fortaleza, já perguntou porque ele está preso e a Graça Foster não. O Sergio Gabrielli que era o presidente da empresa, acusado por diretores, diz que não sabia de nada (?), e já está apontando para a ex presidente do Conselho, a Dilma Rousseff.

É um Deus nos acuda, um salve-se quem puder.

E o que sobra de Dilma e de seu governo? Como vai resistir quatro anos em um quadro de superação difícil, se não impossível. Como e quando será possível uma transição democrática, supondo que a situação não possa ser mantida pelos 4 anos desse mandato.

Essa é a questão posta para a oposição e para as forças democráticas do País. É a nossa tarefa.