Não será como 2002...

Uma nova carta aos brasileiros de Lula vem aí – mas com uma diferença em relação a 2002

Ideia é que carta seja voltada à classe média; ex-presidente diz que mercado faz "terrorismo" com sua candidatura, mas pretende revogar as medidas que têm animado os investidores nos últimos meses

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SÃO PAULO – Líder nas pesquisas eleitorais, mas enfrentando uma grande rejeição da classe média, que culpa o PT pela crise, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova versão da Carta ao Povo Brasileiro voltada à essa fatia do eleitorado, e não mais o mercado financeiro.

“Esta carta não será como a outra, que foi mais dirigida ao mercado. Desta vez a ideia é dialogar com o povo brasileiro”, disse o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, ao Estadão.

De acordo com aliados ouvidos pelos jornais Folha de S. Paulo e Estadão, Lula tem demonstrado preocupação com o clima tenso no país e pretende estabelecer um diálogo direto com o eleitor.

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Na última sexta-feira, Lula disse em encontro com integrantes do PT de São Paulo que é alvo de “terrorismo de mercado” e que seus adversários “estão criando uma guerra de classes”.

Vale ressaltar que, na última semana, a XP Investimentos publicou relatório que mostrou que os investidores institucionais veem queda da Bolsa e subida do dólar em caso de vitória de Lula. O partido avalia que parte da classe média é sensível a essa narrativa, mas o petista minimizou o poder da banca. Ele disse que “o mercado não vota”. Por isso o alvo agora é próprio eleitorado.

Na reunião, o petista disse que os resultados de seus governos passados, inclusive para a Bolsa, são uma prova de que não há risco de instabilidade para o mercado no caso de ele ser eleito de novo.

Contudo, Okamoto disse à Folha que Lula assumirá compromissos que incluem a revisão do limites de gastos públicos e a revogação de medidas aplicadas pelo governo Temer. “É preciso assumir compromissos com o povo. E, sim, revogar medidas adotadas pelo governo golpista para implementação de um projeto verdadeiramente democrático e popular”, afirma Okamoto.