Eleição imprevisível

Um candidato está “lambendo os beiços” com a possibilidade de Lula não concorrer à presidência, diz FT

De qualquer forma, com Lula ou sem Lula no pleito, o jornal britânico acredita que essa será a eleição mais imprevisível da "memória histórica" do Brasil

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SÃO PAULO – A eleição de 2018 promete ser a mais imprevisível da memória histórica brasileira, segundo afirma o jornal britânico Financial Times em matéria dessa quarta-feira (10), destacando o clima de desilusão total com a classe política brasileira. Para a publicação, a harmonia é a última coisa na mente da maioria dos brasileiros, uma vez que o humor do público em geral é de profunda desilusão com as classes políticas. 

 Como afirma a publicação, o grande foco da disputa – e também da imprevisibilidade – é a presença ou não do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no pleito, num cenário em que ele aguarda a decisão da Justiça para saber se está ou não apto a concorrer.  

Segundo o FT, o descontentamento da população é dirigido à classe política como um todo. ”Os brasileiros mostram irritação com seus políticos por levar o país a sua pior recessão na história e pelo envolvimento de alguns em vastos esquemas de corrupção que esvaziaram os cofres públicos enquanto serviços estatais, como a saúde e a segurança, tenham entrado em colapso.”

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Contudo, Lula é uma figura particularmente divisiva e a sua presença nas eleições aumenta a incerteza dos mercados, também internacionais. ”O que quer que aconteça, o futuro de Lula na Justiça deve ser um fator decisivo na eleição”, aponta a publicação. 

Trazendo a opinião de diversos analistas, o FT aponta que a participação de Lula no pleito pode reforçar o apelo de concorrentes não-convencionais, como o deputado Jair Bolsonaro ou o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Joaquim Barbosa, conhecido por sua forte posição anticorrupção e apresentado por alguns como um possível candidato. 

“Isso seria especialmente importante se Lula chegar ao segundo turno das eleições, quando os eleitores têm que escolher entre apenas dois candidatos e muitas vezes isso se transforma em uma votação sobre quem eles ‘desgostam menos’. Embora uma forte minoria de eleitores apoie Lula, as pesquisas mostram que a maioria o rejeitaria”, afirma o FT. 

De qualquer forma, pelo menos um dos candidatos está “lambendo os beiços” com as possibilidade de que Lula não concorra às eleições, diz o FT. Trata-se de Ciro Gomes, que deve ser candidato pelo PDT e que já concorreu na eleição presidencial de 2002. “Se não tiver Lula, eu me tornarei o favorito [entre a esquerda]. Então vou bater o resto [dos candidatos] e vou passar [para o segundo turno] “, disse ele.