Refém da metropóle

“Todos nós somos súditos de Brasília”, afirma Giannetti da Fonseca

"Passados alguns séculos ainda somos reféns de uma metrópole", afirmou o economista em evento realizado pela Empiricus

SÃO PAULO – A crise em que vivemos pode ser uma oportunidade para debates sobre a relação entre o Estado e a sociedade, conforme apontou o presidente do Insper Marcos Lisboa, em evento realizado nesta segunda-feira (1) pela Empiricus. Contudo, destacou o economista Eduardo Giannetti no mesmo evento, nós vivemos em um estado patrimonialista, em que o Estado aparece como dono e concede direitos. 

“Na América do Norte, por exemplo, o estado foi criado pela sociedade. No Brasil, a sociedade foi criada para servir a um estado imperial. Hoje, parece ter mudado muito pouca coisa. Passados alguns séculos ainda somos reféns de uma metrópole. Todos nós somos súditos de Brasília”, destacou, ao comparar o Brasil com o período colonial, em que a sociedade vivia para pagar impostos à Coroa.  “O Brasil ainda não viveu o equivalente de uma revolução francesa, que quebra o padrão de comportamento entre estado e sociedade. Espero que possamos quebrar isso em breve”. 

Para Giannetti, mudar a chamada “cultura” do Brasil é passar por um processo de amadurecimento sem atalhos. “Há ainda a fantasia do déspota esclarecido, mas que é ainda pior, temos que agir junto com a democracia. Tenho a esperança de que, depois da fraude eleitoral de 2014, isso mude. Aquele mundo pré eleitoral acabou. Se isso não impactar, não sei o que impactará mais”, destacou. 

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