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The Economist: Dilma pede chuva a São Pedro, mas também tem culpa no cartório

Aumento de consumo e seca aumentam pressão sobre elétricas, mas governo Dilma também ajudou a complicar o cenário, aponta revista

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SÃO PAULO – “Rezar para São Pedro não parece ser uma política energética. Contudo, é isso que o governo brasileiro parece fazer para fazer cair a chuva, em meio a uma iminente crise no setor”.

Assim se inicia a reportagem da The Economist desta semana que ressalta os temores de racionamento no Brasil, uma vez que o “santo parece ter economizado” este ano nas chuvas que deveriam cair entre dezembro a março. Este é o período em que os reservatórios enchem de água e movimentam as hidrelétricas, que respondem por cerca de 80% da energia elétrica do País.

Por outro lado, pressionando ainda mais, está o aumento do consumo, com os brasileiros usando 10% mais energia do que no mesmo período de 2013. A The Economist avalia, assim, que o tempo e a riqueza ajudam a explicar essa situação, uma vez que o verão mais quente e os rendimentos mais elevados fazem os brasileiros procurarem refúgio debaixo do ar-condicionado.  

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Porém, a revista aponta para outro fator para que o País esteja na atual situação: a política de Dilma Rousseff. Em 2012, a presidente se comprometeu a reduzir as contas de energia em 20% e, para isso, optou por renovar concessões que estavam prestes a expirar com a condição de que elas cortassem tarifas. Nem todos concordaram, mas muitos o fizeram, gerando pressão sobre muitas companhias elétricas, como já havia alertado a agência de classificação de risco Fitch.

Além disso, a The Economist também reforça as falas do Ministério da Energia, que afirma que o Brasil “goza de um excedente estrutural”. Mas a capacidade instalada não é o mesmo que energia assegurada, máxima produção de energia que pode ser mantida quase continuamente pelas usinas ao longo do ano.

Assim, conforme ressalta Arthur Ramos, da consultoria Booz & Co, “ninguém sabe o quanto de energia está realmente garantida” e, assim, com o clima adverso, o governo não deve descartar racionamento.

A revista destaca que a rede elétrica do Brasil é mais resistente e diversificada do que era em 2001, quando houve racionamento de energia. Porém, os riscos de novos racionamentos ainda são altos. Soma-se a isso o atraso na construção de novas linhas de energia e o cenário está completo.

Por fim, a The Economist destaca que, dificilmente, ela volte atrás em sua promessa de cortar os preços de energia, o que conteria a demanda, mas aumentaria a inflação e irritaria os eleitores. “Por outro lado, ela não quer uma reprise das eleições de 2002, quando o apagão favoreceu o PT (Partido dos Trabalhadores) a ganhar o pleito. É para você, São Pedro”, finaliza a revista.