The Economist: crise ainda afeta economia brasileira e pode comprometer eleições

Cenário econômico deteriorado deverá trazer maior dificuldade para PT eleger novo presidente em 2010, avaliam economistas

SÃO PAULO – O cenário econômico deteriorado por conta da crise financeira deverá trazer maior dificuldade para o PT eleger um novo presidente ao final de 2010. De acordo com a The Economist Intelligence Unit, área de pesquisa da revista The Economist, a saúde de Dilma Rousseff, apontada como a principal sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva, causa preocupações quanto à sua candidatura.

Sobre quem irá assumir a presidência do País após Lula, os economistas acreditam que outro partido leva vantagem. “Embora seja muito cedo, nós acreditamos que as dificuldades econômicas deverão favorecer a candidatura de José Serra, governador do estado de São Paulo pelo PSDB”, previram.

Quanto à economia brasileira, as projeções são positivas. Para os economistas, a sólida posição financeira do governo e dos bancos estatais deverão sustentar as medidas anti-cíclicas que deverão mitigar o impacto da recessão global.

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O núcleo de estudos projetou ainda que a economia brasileira continuará em recessão este ano, registrando contração em torno de 1% ao final de 2009. No entanto, os economistas avaliaram que uma recuperação debilitada da economia global em 2010 deverá restringir o crescimento brasileiro para 2,7% no próximo ano.

Projeções

A área de pesquisa acredita que os impactos da crise econômica, embora menores, permanecerão afetando a economia brasileira ao longo da segunda metade de 2009 e início de 2010. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é carismático o bastante para prever os passos da crise econômica, mas ele é constitucionalmente ilegível para um terceiro mandato consecutivo e tem tentado mudar isso”, afirmaram os economistas.

Eles também arriscaram declarar que a política ortodoxa de trabalho, sustentada há uma década em nosso País, deverá ser mantida pelo próximo governo. Devido ao momento de instabilidade, as expectativas são de que haja um declínio na receita fiscal brasileira, levando o superávit primário para 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional em 2009, valor que deve subir para 3% no próximo ano.

Demanda e inflação

Para os economistas, o Brasil tem a vantagem dos bons rumos que tomam a economia da China, puxados pelos pacotes de estímulo oferecidos pelo governo, e promovendo uma volta mais acelerada da demanda chinesa. As projeções são de que a economia da gigante asiática cresça 7,2% em 2009.

Sobre a inflação, os economistas preveem que ela caia 4,2% até o final do ano e se mantenha estável em 2010, considerando que o real se mantenha “relativamente” estável. “Uma contração na demanda doméstica contribuirá para uma trajetória desinflacionária em 2009 e a recuperação em 2010 será leve o bastante para não derrubar as pressões nos preços”, concluíram.