Senador propõe que Legislativo interfira nos ganhos dos bancos com juros

"Eles apenas lucram em cima de quem produz e de quem trabalha", afirmou, em plenário, Antônio Carlos Valadares

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SÃO PAULO – O aumento das taxas de juros verificado em janeiro motivou manifestação no Congresso. Na última quarta-feira (27), o senador Antônio Carlos Valadares alertou para a necessidade do Legislativo estabelecer limites aos “elevados lucros auferidos pelas instituições financeiras no Brasil nos últimos anos”.

“O lucro é fantástico, se considerarmos que não são os bancos que produzem riqueza no chão de fábrica e nem no campo. Eles apenas lucram em cima de quem produz e de quem trabalha”, afirmou o parlamentar em plenário.

Custo do financiamento

Conforme o BC, em janeiro o custo médio dos empréstimos destinados a pessoas físicas interrompeu sua seqüência de queda verificada desde fevereiro de 2007, aumentando 4,9 ponto percentual, para 48,8% ao ano.

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A taxa média – inclusos os juros cobrados de pessoas jurídicas – ficou em 37,3% ao ano, representando um aumento de 3,5 pontos percentuais em relação a dezembro de 2007.

Selic

De acordo com a Agência Senado, Valadares questionou também a própria política de juros altos praticada pelo governo federal.

O parlamentar afirmou que a fixação de uma Selic (a taxa básica de juros da economia, atualmente em 11,25% ao ano) em patamares elevados “sufoca a economia produtiva e os consumidores, e constitui um nó que tem de ser desatado para que o país possa crescer a taxas adequadas”.

Segunda maior

A opinião do senador pode ser embasada por pesquisa divulgada recentemente. Segundo a consultoria econômica Uptrend, o Brasil continua no segundo lugar da lista de países com o maior juro real do mundo*.

Nos últimos 12 meses, essa proporção foi de 6,8%, ante 8,3% da Turquia, que encabeça a lista.

*A Selic menos a inflação do período

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