Ex-senadora fala

Se Dilma não tivesse mentido na campanha, ajuste não seria tão doloroso, diz Marina

"O fato de a presidente (Dilma Rousseff) ter feito uma campanha negando os problemas faz com que as medidas (do ajuste fiscal) não sejam entendidas pela sociedade", afirmou a ex-senadora

SÃO PAULO – Em Nova York, a ex-senadora Marina Silva destacou a crise do Brasil e afirmou que ela é política, econômica e daqui a pouco também será social. “As pessoas estão perdendo o emprego, vivendo as dificuldades da inflação, sofrendo as consequências do baixo crescimento”, afirmou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

E, segundo ela, se a presidente Dilma Rousseff tivesse reconhecido a gravidade da situação antes e não tivesse mentido durante a campanha do ano passado, o pacote de medidas fiscais não precisaria ser tão doloroso.

“O fato de a presidente (Dilma Rousseff) ter feito uma campanha negando os problemas faz com que as medidas (do ajuste fiscal) não sejam entendidas pela sociedade”, afirmou. “A falta de credibilidade do governo em relação à agenda econômica faz com as medidas hoje sejam feitas três vezes mais duras do que seriam com alguém que tem credibilidade.”

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E, para ela,  o peso do ajuste fiscal tem recaído sobre a sociedade. Enquanto isso, o governo faz pouco para cortar seus gastos. “O governo pede sacrifício dos trabalhadores em relação ao seguro-desemprego, em relação a uma série de questões, mas mantém os mesmos gastos, a mesma quantidade de ministérios. O ajuste é necessário, mas se tivesse sido tratado antes não estaria com a radicalidade que hoje está sendo feito pelo governo. Não é negando a realidade que a gente vai conseguir resolver os problemas.”

Porém, ao falar sobre a possibilidade de pedir impeachment da presidente, Marina afirmou que ele é legal dentro de determinados critérios, sendo eles o envolvimento direto da figura do presidente em algo irregular. “Nós não podemos nos transformar em uma republiqueta que, por discordar do presidente, faz qualquer manobra para tirá-lo do cargo”. E continuou: “essa cultura de tirar qualquer um que esteja no poder em função de discordar dele, isso foi criado pelo PT, e não acho que se deva dar continuidade a esse ‘modus operandi’. Sem a materialidade dos fatos não se deve ter uma postura de aprofundar o caos que hoje está no Brasil.”