Política

Renan Calheiros retira candidatura para a presidência do Senado; chances de Davi Alcolumbre crescem

Senador do MDB, que tentava voltar ao comando da casa pela quinta vez, anunciou decisão em meio à crescente percepção de derrota para o nome apoiado por Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil

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SÃO PAULO – Após um longo impasse, sucessivos enfrentamentos entre os parlamentares em dois dias de sessão e a ocorrência de fraude em uma primeira tentativa de realização da votação secreta por meio de cédulas, o senador Renan Calheiros (MDB) anunciou a retirada de sua candidatura à presidência do Senado Federal.

A surpreendente decisão foi comunicada durante a repetição da eleição para a presidência da casa legislativa, depois que foi encontrada uma cédula a mais na urna, no plenário, e a votação foi anulada. O resultado daquela votação não chegou a ser apurado e os envelopes foram triturados.

Renan Calheiros subiu à tribuna em um momento em crescia o número de senadores que declaravam apoio e exibiam cédula com voto em seu principal adversário na disputa Davi Alcolumbre (DEM-AP), nome apoiado pelo ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), articulador político do governo Jair Bolsonaro (PSL).

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Na reedição da votação, Alcolumbre recebeu até mesmo o apoio declarado de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ). A bancada do PSDB também formalizou voto no parlamentar. A percepção de derrota de Renan crescia quando ele decidiu retirar sua candidatura, anúncio feito pouco tempo depois da declaração do filho do presidente.

Após a fala de Renan, alguns senadores passaram a defender a realização de uma nova votação. Um dos principais defensores da tese era Esperidião Amin (PP-SC), candidato que acreditava herdar votos do emedebista e até mesmo de Alcolumbre, já que a polarização entre o candidato do DEM e Renan havia deixado de existir. O processo de votação, contudo, segue ocorrendo.

“Eu retiro a postulação porque entendo que o Davi não é o Davi, é o Golias. Davi sou eu. Ele é o Golias, atropela o Congresso. O próximo passo é o Supremo Tribunal Federal sem o cabo e sem o sargento”, afirmou Renan em entrevista. O emedebista foi vaiado em plenário ao acusar adversários de fazerem uma eleição antidemocrática.