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Relembre os cenários para Bolsa e economia em caso de vitória de Aécio, Dilma ou Marina

Desde março, os mercados de renda variável e fixa foram afetados pela corrida presidencial; confira o que esperar em cada um destes cenários

SÃO PAULO – Se os meses de março e agosto foram marcados por um forte otimismo do mercado com o pano de fundo eleitoral, que levou o Ibovespa para uma alta de quase 40%, setembro mostrou o oposto em meio às pesquisas que começaram a mostrar um fortalecimento de Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial, enquanto Marina, que era vista como sua principal adversária, perdeu força. A inversão no rumo das eleições trouxe incerteza no mercado, que esperava por uma mudança no governo. As “novidades” das pesquisas de setembro fizeram o índice registrar no período o pior mês desde maio de 2012. 

Os meses passados só confirmaram a tese de que eleições e Bolsa tem uma correlação muito forte: deste vez, a força de Dilma levava o Ibovespa abaixo, enquanto o aumento das intenções de votos na oposição era visto como positivo. Isto porque o mercado esperava por uma mudança na política econômica, que deve levar o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil a um crescimento de apenas 0,29% neste ano, segundo último Relatório Focus, que cortou sua projeção pela 18ª semana consecutiva.

Esse cenário negativo na Bolsa já era traçado desde agosto, quando uma pesquisa feita pela XP Investimentos com 116 gestoras e assets mostrou as expectativas individuais sobre o “alvo” do Ibovespa dependendo do resultado das eleições – vitória de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) ou Marina Silva (PSB). O resultado das 116 respostas mostrou que, em caso de vitória do Aécio Neves, o “alvo” do Ibovespa estaria na faixa de 65.900 pontos. Já caso Marina vença o pleito, o índice da Bolsa deve ficar estacionado em 59.400 pontos, enquanto em uma reeleição de Dilma, ele mergulharia para 44.700 pontos.

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Nesta semana, a XP revelou outra pesquisa, desta vez com 80 gestores. Com o cenário político tomando um rumo cada vez mais favorável à Dilma Rousseff (PT), o mercado já precifica esse favoritismo da presidente na corrida eleitoral, dado que o valor esperado no cenário de indecisão entre as candidatas está em torno de 54.000 pontos, revelou a pesquisa. “O nível do mercado atual reflete uma probabilidade de 57% para a reeleição de Dilma”, apontou. De 2 de setembro até o fechamento de ontem, o Ibovespa caiu 13,4%, para 53.518 pontos.

Dilma ganha força nas pesquisas
Hoje, uma pesquisa Sensus/IstoÉ revelou um cenário que já vinha sendo traçado nos últimos dias: fortalecimento de Dilma, enquanto Marina perde espaço. Na pesquisa, Dilma tem 37,3% das intenções de votos, Marina, 22,5%, e Aécio, 20,6%. No levantamento anterior, realizado entre os dias 21 e 26 de setembro, Dilma tinha 35,1% das intenções, Marina, 25%, e Aécio, 20,7%. 

Em uma simulação de segundo turno entre a petista e Marina, a candidata à reeleição aparece com 44% e a candidata do PSB, com 37,6%. Já entre Dilma e o tucano, a petista tem 45,8% e o tucano, 36,9%. Em ambas as simulações, a presidente ampliou a diferença sobre o adversário em relação ao levantamento anterior. 

Ontem, pesquisas Ibope apontou fortalecimento de Dilma no 1° turno em relação ao levantamento do dia 30 de setembro. Neste último, a presidente aparece com 40% das inteções de votos, seguida por Marina Silva (24%) e Aécio Neves (19%). A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. No caso de segundo turno, Dilma aparece com 43% contra 36% de Marina, enquanto no caso de embate com Aécio a intenção passa a ser 46% contra 33%. 

No mesmo dia, foi revelado ainda uma pesquisa Datafolha, que apontou a manutenção de Dilma com 40% das intenções de votos no 1° turno, seguida por Marina, 24% ante 25%, e Aécio 21%, ante 20%. Em caso de segundo turno, Dilma aparece com 48% contra 41% de Marina. Na semana passada, Dilma tinha 49% e Marina, os mesmos 41%. Na simulação entre Dilma e Aécio, a petista vence por 48% a 41% (50% a 41% na semana anterior).

Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, mesmo se Dilma for eleita, a volatilidade da Bolsa pode ser menor, porque o que move os mercados hoje é a incerteza com relação ao cenário das eleições. Porém, avalia, um cenário em que a Bolsa teria alta só seria possível caso a petista se repaginasse e indicasse que faria os cortes de gastos públicos, liberação dos preços administrados e compromisso com o tripé econômico, ao invés de “dobrar a sua aposta”. Porém, uma recuperação mais forte só ocorreria em 2016, já que 2015 será um ano difícil por conta de ajustes. 

Resultados para cada candidato
Em caso de reeleição de Dilma, aproximadamente 90% dos respondentes da pesquisa da XP esperam que o Ibovespa perca os 50 mil pontos, sendo que 74% enxerga o índice entre 40 a 50 mil pontos e 10% esperam que ele fique acima dos 50 mil pontos. Apenas 1% dos gestores acredita que o benchmark da bolsa brasileira avance para entre 60 mil e 70 mil pontos com a vitória da candidata petista, mostra a pesquisa da XP.

Com Marina Silva sendo eleita, o cenário é mais otimista para bolsa é mais otimista do que com Dilma, com 54% vendo a Bolsa entre 60 mil e 70 mil pontos. Os outros 46% veem o índice abaixo dos 60 mil pontos, sendo 37% apostando na banda entre 50 mil e 60 mil pontos, 8% entre 40 mil e 50 mil e 1% abaixo de 40 mil pontos.

Para Aécio Neves, o cenário é predominantemente otimista: ele é o único candidato na visão dos gestores que, se eleito, pode fazer a Bolsa superar os 70 mil pontos – 40% dos entrevistados escolheram essa alternativa, revela a pesquisa. Metade deles espera ver o índice entre 60 mil e 70 mil, 9% estima uma banda entre 50 e 60 mil pontos e 1% acredita na Bolsa entre 40 e 50 mil pontos em caso de vitória do tucano.

Como Aécio foi o único a ter respondentes falando em Ibovespa acima de 70 mil pontos, a XP explica que neste caso utilizou os 70 mil pontos para o cálculo da média, o que acabou puxando o resultado dele para baixo. Contudo, vale lembrar que Dilma teve 11% dos entrevistados apostando no índice abaixo de 40 mil pontos, o que poderia puxar o “alvo” caso ela seja eleita bem mais para baixo.

Além da Bolsa…
O gestor da BBT Asset, Raphael Juan, disse, durante o início desta semana, que o mercado começa a se preparar para uma eventual permência de Dilma Rousseff, depois de ter se animado com uma possível vitória de Marina, o que parece cada vez mais distante. “Acredito que a Bolsa deverá cair no mínimo 10%, juros futuros em janeiro de 2016 deve se aproximar de 12% e o dólar permanecer próximo a R$ 2,45 até setembro deste ano”, disse. 

“Se isso se esse cenário (de Dilma) se confirmar, o céu é o limite para o dólar”, afirmou o gerente de câmbio da corretora Fair, Mário Battistel, também para a agência de notícias. Para ele, a moeda norte-americana pode ir acima de R$ 2,50 reais no curto prazo.

Battistel também acredita que o BC pode atuar com mais força no mercado para evitar essas arrancadas, ampliando os leilões de swaps, entrando com leilões de linha ou até mesmo com venda de dólares à vista. Até agora, a autoridade monetária deu continuidade às intervenções diárias no mercado de câmbio nesta sessão, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps cambiais, que equivalem à venda futura de dólares.

“A percepção de risco tem aumentado cada vez mais uma vez que uma reeleição de Dilma traz incertezas ao mercado em relação a quais políticas serão adotadas pelo seu governo e, consequentemente, isso tem impactado também os juros futuros, que mostram hoje forte alta. Além do questão eleitoral, há também uma expectativa de aumento de juros nos Estados Unidos, o que deve puxar recursos lá para fora, deixando o cenário ainda mais desafiador para o mercado brasileiro. Não será nada fácil ficar na Bolsa nas próximas semanas. O cenário é ruim não só para Bovespa, mas para todas as bolsas emergentes”, reforma o economista da Guide Investimentos, Ignacio Crespo.

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