Contra juros altos

Presidente do PT diz que inflação não pode ser combatida com “juros escorchantes”

Na abertura do Congresso em Salvador, que deve contar com a presença da presidente Dilma Rousseff, Falcão também afirmará que o custo do ajuste das contas públicas deve ser pago pelos mais ricos

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SÃO PAULO (Reuters) – O presidente do PT, Rui Falcão, defenderá no discurso de abertura do Congresso do partido, nesta quinta-feira, que a inflação não pode ser combatida com “juros escorchantes” e que também não é possível retomar o crescimento econômico com recessão. 

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Na abertura do Congresso em Salvador, que deve contar com a presença da presidente Dilma Rousseff, Falcão também afirmará que o custo do ajuste das contas públicas deve ser pago pelos mais ricos.

“Como já reiteramos anteriormente, o PT apoia o empenho da presidenta Dilma para enfrentar os desafios da conjuntura”, dirá Falcão segundo discurso divulgado antecipadamente pelo partido.  

“Mas considera vital que o custo de retificação das contas públicas recaia sobre quem mais tem condições de arcar com o custo do ajuste. É inconcebível, para nós, uma política econômica que seja firme com os fracos e frouxa com os fortes”, acrescentou.

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O governo enviou ao Congresso medidas de ajuste fiscal que restringem o acesso a benefícios previdenciários e trabalhistas, como o seguro-desemprego, gerando críticas das centrais sindicais e inclusive de membros do PT. O governo também propôs aumento de impostos e reversão de parte das desonerações concedidas no primeiro mandato da presidente Dilma para alguns setores econômicos.   

O Banco Central, por sua vez, em meio a uma inflação persistentemente alta, elevou na semana passada pela sexta vez seguida a taxa básica de juros, que agora está em 13,75 por cento ao ano, maior patamar desde janeiro de 2009. 

“O PT não acredita que é possível retomar o crescimento provocando recessão. Nem que se possa combater a inflação com juros escorchantes e desemprego de trabalhadores e máquinas.”

A presidente, que antecipou sua volta de uma viagem internacional a Bruxelas para participar da abertura do Congresso petista, disse nesta quinta que o Congresso petista será de “reflexão”, pois este é o momento atual.