Polícia Federal cumpre mandados contra o senador Marcos do Val

Agentes estiveram no gabinete de Do Val, no apartamento funcional em Brasília e em um endereço em Vitória

Luís Filipe Pereira

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) se pronuncia da tribuna no plenário (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

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Agentes da Polícia Federal estiveram na tarde desta quinta-feira (15) no Congresso Nacional para cumprir mandados de busca e apreensão no gabinete do senador Marcos do Val (Podemos-ES), em ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os agentes da PF também estiveram no apartamento funcional do parlamentar, em Brasília, e em um endereço em Vitória (ES), cidade de origem do senador.

Marcos do Val é investigado por obstruir investigações sobre os atos golpistas do dia 8 de janeiro em processo que corre em sigilo. Os policiais chegaram ao Senado Federal em viaturas descaracterizadas e deixaram o edifício no fim da tarde, com computadores e documentos apreendidos. O senador também teve as redes sociais bloqueadas, por determinação da Justiça.

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Em fevereiro, o STF já havia determinado a abertura de investigação contra Do Val para apurar as declarações de que ele teria recebido uma proposta para participar de um golpe de Estado com a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Primeiramente, em vídeo nas redes sociais, o parlamentar não deu detalhes sobre quando nem como a proposta foi feita, mas disse ter recusado e denunciado o caso. Em um segundo momento, passou a culpar o ex-deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) pela suposta articulação golpista, ao mesmo tempo em que criou uma nova versão para desmentir a história inicial e levantar uma narrativa que pudesse levar ao impedimento de Alexandre de Moraes relatar o inquérito dos atos antidemocráticos.

Eleito senador em 2018 com 863 mil votos, Marcos do Val está na segunda metade do seus oito anos de mandato. Aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, ele ascendeu na vida política ao construir um discurso baseado na negação da política convencional, como forma de se aproximar dos eleitores, e defender maior flexibilização para o porte de armas de fogo.

Nas redes sociais e em discursos no Senado, o parlamentar tem defendido pessoas que estiveram no acampamento instalado em frente ao Quartel-General do Exército, em Brasília, e que participaram dos atos golpistas de 8 de janeiro. Atualmente, Marcos do Val é um dos integrantes da CPMI que apura os ataques aos Três Poderes e, assim como outros membros da oposição ligados ao bolsonarismo, tenta imputar a integrantes do governo Lula a culpa pelos episódios de vandalismo ocorridos na capital.

Nos bastidores, há expectativa para entender de que forma a ação da PF desta quinta poderá influenciar o desdobramento dos trabalhos do colegiado, que deverá na próxima semana colher os depoimentos do ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Silvinei Vasques, e também de George Washington, preso acusado de participar de um plano terrorista para atacar o Aeroporto de Brasília.

A assessoria de Marcos do Val informou à Agência Brasil que não comentaria a operação da Polícia Federal. Apesar disso, o senador concedeu entrevistas a redes de televisão no início da noite e negou acusações de golpismo. Do Val também criticou a busca e a apreensão no Congresso, a qual classificou como uma “invasão”. “Eu não cometi crime absolutamente nenhum”, declarou ao canal Globonews.

(Com Agência Brasil)

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