Até aliados admitem

Podendo ser cassado por mentira na CPI, Cunha passa a ter situação insustentável

E em março, na CPI da Petrobras, o deputado negou que que tivesse recursos depositados naquele país ou em algum paraíso fiscal; oposição e aliados devem se afastar do presidente da Câmara

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SÃO PAULO – Ontem, em sessão da Câmara dos Deputados, o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) questionou: “o presidente Eduardo Cunha tem ou não tem contas na Suíça sob investigação do Ministério Público de lá, como nos comunica o Ministério Público do Brasil? Será que esse assunto vai ficar abafado aqui na Câmara dos Deputados do Brasil, que não pertence individualmente a nenhum de nós?”

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ignorou a pergunta e continuou a conduzir a votação no Plenário. E em março, na CPI da Petrobras, o deputado negou que que tivesse recursos depositados naquele país ou em algum paraíso fiscal. “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu Imposto de Renda”, afirmou na ocasião.

Assim, ele valeu-se do sigilo do Imposto de Renda, mas já havia dito, na própria CPI, que tudo que consta em seu IR está transcrito na declaração de bens que todo candidato tem que apresentar à Justiça Eleitoral para homologar sua candidatura, conforme destaca o jornal O Globo. Na declaração de bens apresentada ao TSE, as contas na Suíça não foram informadas. 

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Ministério Público na Suíça informou nesta semana que encontrou cerca de US$ 5 milhões em contas controladas pelo presidente da Câmara. No registro das contas, o nome de Cunha, da mulher Cláudia Cruz e de uma de suas filhas aparecem como reais responsáveis pela movimentação financeira. 

Desta forma, se ficar comprovado que o presidente da Câmara mentiu na CPI, ele poderá responder por quebra de decoro parlamentar e pode até mesmo ser cassado.

Em meio a tantas denúncias, já somando cinco pessoas que destacam que Cunha se beneficiou do esquema de corrupção na Petrobras, até mesmo aliados admitem que a sua permanência na presidência da Câmara está se tornando insustentável, conforme informa a Folha de S. Paulo

Segundo a coluna Painel, do mesmo jornal, a oposição já fala em romper com o presidente da Câmara caso surjam novas provas. A promessa de Cunha  de que decidirá sobre todos os pedidos de impeachment em até 15 dias foi vista como a última cartada do presidente da Câmara na tentativa de manter a oposição ao seu lado, afirma a coluna.

Porém, PSDB e DEM já fizeram chegar ao peemedebista que, tão logo e se aparecer prova de que ele mentiu em depoimento à CPI da Petrobras e tem mesmo conta no exterior, o alinhamento hoje vigente vai ruir. Segundo a coluna, o efeito na oposição sobre as revelações do dinheiro de Cunha no exterior foi assim resumido por um deputado: “Resta agora rezar para que a conta só apareça mesmo depois da votação do impeachment”.


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