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Placar do impeachment: governo ensaia reação; movimento “nem Dilma nem Cunha” pode ser decisivo

De acordo com levantamento de jornais, oposição perdeu votos contra o impeachment e placar segue apertado

SÃO PAULO – Na última sexta-feira antes da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, no próximo domingo (17), o governo Dilma Rousseff consegue algum fôlego, de acordo com os placares elaborados por jornais como O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo e O Globo.

O Estadão aponta, na noite desta sexta, 343 votos a favor, 133 contra e 37 indefinidos; no meio do dia, havia 347 votos a favor do impedimento. Já a Folha aponta que a oposição perdeu 2 votos, passando de 342 – o número necessário para o impedimento passar no Senado – para 340, enquanto 128 estão contra. O Globo conta com 344 votos pró-impeachment, 122 contra e 47 indefinidos.

Nesta sexta-feira, o Palácio do Planalto se transformou em um centro de romaria de deputados e governadores nesta sexta-feira, destaca a agência Reuters, em um movimento de última hora que pode ter dado ao governo fôlego extra para barrar a aprovação do processo. O clima fúnebre da noite de quinta foi substituído no final desta sexta por um otimismo cauteloso. Dilma passou o dia em contato com deputados, pessoalmente e por telefone, e aliados do governo afirmam que foi possível virar quase duas dezenas de votos, aproximando de novo o Planalto de 190 a 200 votos.

A maior virada teria vindo do PP, que decidiu nesta semana abandonar o governo e interromper as negociações para ocupar espaços que pertenciam antes ao PMDB. O vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (MA), afirmou à presidente que votaria com o governo e traria com ele outros 11 deputados do partido.

Analisando que o cenário dos últimos dias melhorou para Dilma, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), esteve no gabinete da presidente acompanhado de Waldir Maranhão.

O governador informou que no Maranhão, três deputados que eram “dados como certo a favor” do afastamento de Dilma foram revertidos. Ele disse ter encontrado a presidente “tranquila e firme”, de “quem não cometeu nenhum crime” e com a “convicção” de que há votos suficientes para derrubar o processo.

“Nós [Dilma e eu] circunscrevemos a uma análise de que o clima melhorou muito nos últimos dias. Há um entendimento claro e muito nítido de que a suposta avalanche que haveria na direção do apoio ao impeachment não se verificou. Waldir Maranhão esteve comigo reiterando que há uma posição clara de vários deputados do PP sob liderança dele e de outros, de seguir a manutenção de apoio ao governo. Este é um caso bastante emblemático, até porque ele foi eleito na chapa do líder desse processo golpista que é o atual presidente da Câmara”, disse, referindo-se ao deputado Eduardo Cunha.

Em meio a esse movimento, o PP decidiu nesta sexta-feira fechar questão pelo impeachment: com isso, os parlamentares do PP que votarem contra o impedimento poderão ser punidos, mas isso será decidido caso a caso.

Uma outra baixa entre os pró-impeachment foi a da deputada federal Clarissa Garotinho (PR-RJ) que, grávida de 36 semanas, solicitou o início de sua licença-maternidade.

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“Nem Dilma nem Cunha”
Soma-se a isso a notícia da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, de que deputados de partidos que já indicaram voto pelo impeachment, como o PSB e o PSD, tentam articular em suas legendas um movimento para aumentar o número de abstenções e impedir a aprovação da saída de Dilma. A justificativa seria a de que a alternativa à presidente –o chamado “governo Michel Temer/Eduardo Cunha”,  seria pior do que a de deixar a petista no comando do país.

Segundo a colunista, a ideia é que pelo menos 20 deputados se retirem do plenário domingo com a alegação de que não podem votar numa sessão presidida por Eduardo Cunha, que é réu na Lava Jato. Caso o movimento não consiga angariar pelo menos duas dezenas de apoiadores, ele deve ser abortado. 

De acordo com o Globo, em meio a esse movimento do governo, que voltou a se reunir com governadores nesta sexta, o presidente da Câmara, Eduardo Câmara (PMDB-RJ), telefonou para deputados para cobrar apoio.

(Com Reuters e Agência Brasil)

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