Para análise

PGR encaminha ao STF petições citando Dilma, Temer, Lula e Aécio

Este é mais um passo para dar início a investigação dos políticos, a partir da delação de Delcídio do Amaral

Ex-procurador-Geral da República, Rodrigo Janot (Crédito: Agência Brasil)

SÃO PAULO – A PGR (Procuradoria Geral da República) enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) petições pedindo a análise das citações do senador Delcídio do Amaral (sem partido – MS) sobre a presidente Dilma Rousseff, o vice-presidente Michel Temer, o ex-presidente Lula, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e outros políticos.

A PGR pediu na semana passada que os fatos citados pelo senador em sua colaboração premiada sejam divididos em 20 procedimentos para uma análise preliminar de implicações. O instrumento antecede o pedido de abertura de inquérito; a partir dele, o relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki, decidirá se autorizará ou não as investigações dos nomes com foro privilegiado.

Segundo informa o jornal O Globo, a tendência é que a PGR peça a abertura de inquérito para Dilma, Temer e Aécio, mas ainda não há perspectiva sobre quando isso será feito. 

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Com relação a Aécio, Delcídio afirmou em delação premiada que o tucano recebeu propina de Furnas, subsidiária da Eletrobras e de ter maquiado dados do mensalão. Já Delcídio acusou Dilma de tentar interferir na Operação Lava Jato. Segundo ele, a presidente conversou com auxiliares e nomeou ministros para tribunais superiores – principalmente o STJ (Superior Tribunal de Justiça) – favoráveis às teses das defesas de acusados na Operação, em uma tentativa de ajudar empreiteiras e políticos alvos da Operação.

O senador citou vice-presidente Michel Temer, ao envolver o peemedebista em um suposto escândalo de aquisição ilícita de etanol, na BR distribuidora, entre 1997 e 2001. Segundo o senador, Michel Temer, chancelou a indicação de dois ex-diretores da Petrobras que foram condenados na Operação Lava Jato. De acordo com ele, Temer era “padrinho” de João Augusto Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, e de Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras. 

Já Lula foi o mais citado na delação. Ele afirmou que o ex-presidente teria sido responsável por marcar uma conversa entre o senador e o filho de Nestor Cerveró, Bernardo, que acabou culminando na prisão do senador no âmbito da Lava Jato. Lula teria sido o mandante do pagamento de dinheiro para comprar o silêncio das testemunhas. O senador afirmou também que o ex-presidente tinha conhecimento do esquema de corrupção da Petrobras e agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações. Delcídio afirmou que Lula teria discutido a nomeação de Nestor Cerveró para a área Internacional da estatal com a bancada do PT.

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