The Economist

Petrobras paga caro por ser uma “empresa de duas cabeças”, diz The Economist

Publicação britânica destaca os efeitos da interferência do governo Dilma sobre a gestão da CEO da estatal, Graça Foster, bem como o "curioso" rali das ações

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SÃO PAULO – O recente noticiário negativo da Petrobras (PETR3; PETR4) e as contraditórias altas acumuladas pelas ações da estatal são um dos assuntos tratados pela publicação britânica The Economist na edição impressa desta semana. A respeitada revista de âmbito mundial mostra que não é só aqui no Brasil que ecoam as críticas sobre as intervenções excessivas do governo da presidente Dilma Rousseff sobre a petrolífera, e destacou as duras penas que a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, têm pago pela sombra das intervenções do governo.

Em texto intitulado “Two Heads Are Worse Than One” (tradução livre: duas cabeças são piores do que uma), a revista ressalta a impressão desastrosa que o mercado tem dos últimos anos de gestão da Petrobras, à medida em que a companhia é usada como ferramenta de políticas macroeconômicas pelo governo, conforme afirmou um consultor carioca de energia em entrevista à publicação. Vale lembrar que a estatal tem visto seu caixa amargar pesados prejuízos por conta da política de congelamento de preços como medida de controle da elevação da inflação.

Como outros agravantes para a atual situação da Petrobras, o veículo britânico também destaca as obrigações que a companhia tem de investir em regiões menos desenvolvidas do Brasil, em prol da integração regional do País – fator que reforça os conceitos políticos que envolvem a pragmática da estatal, aumentando sua exposição a gastos mais elevados e atrasos de entregas. Até mesmo o pré-sal, apresentado pelo governo como uma “cereja do bolo” do País, pode trazer problemas na prática para a estatal. O monopólio do controle principal das reservas de petróleo em águas profundas foi apontada como a cruz e a bênção simultaneamente pela The Economist.

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“A Petrobras é obrigada a destinar recursos para o pré-sal, que pode ser bem mais bem empregado em outro lugar. Apesar dos crescentes investimentos que alimentam uma dívida de US$ 40 bilhões por ano, a produção da companhia se manteve praticamente estável”, afirmaram os jornalistas da revista inglesa, lembrando também que a estatal foi recentemente apontada pelos analistas do Credit Suisse como a empresa menos rentável dentre as gigantes do setor espalhadas pelo mundo.

Notícias em baixa, ações em alta
O mesmo banco foi lembrado pela The Economist para justificar o recente rali das ações da Petrobras – fator que contribuiu para os fortes ganhos do Ibovespa nas últimas semanas. Mesmo com as faíscas do escândalo envolvendo a compra e venda da refinaria de Pasadena e o corte de rating sobre a nota de crédito da companhia, promovido pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s, os papéis da estatal dispararam.

O aparente movimento irracional das ações da Petrobras na Bovespa é compreensível na medida em que se observa as recentes especulações eleitorais contrárias à reeleição de Dilma e a queda da popularidade de sua gestão. Com medidas tão criticadas pelo intervencionismo do mercado, não é de causar surpresas que uma deterioração das intenções de voto da presidente nas pesquisas gere otimismo na bolsa.

Do dia 18 de março até ontem, as ações da Petrobras acumularam ganhos de cerca de 30%. Vale lembrar que, três pregões antes do início da série positiva, o Credit destacou o baixo preço das ações da estatal – o que, juntamente com as posteriores notícias relacionadas à corrida eleitoral, ampliou o apetite dos investidores. No entanto, no meio do rali, a mesma instituição disse que não via claros indícios que justificassem a recente disparada das ações.

Nem tudo está perdido
Além do quadro eleitoral, os analistas entrevistados pela The Economist ressaltam a impossibilidade de se manter os preços dos combustíveis baixos – independentemente do vencedor anunciado pelas urnas no segundo semestre -, assim como possibilidade do Congresso aliviar as obrigações da estatal com o pré-sal, como elementos importantes que apontam para um quadro que poderia inspirar mais otimismo.

“A Petrobras é uma empresa improvável de ser normal. Mas com menos interferência política, ela poderia ser rentavelmente incomum – ou talvez até atipicamente lucrativa”, concluíram os jornalistas da The Economist sobre a estatal brasileira.

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