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Para FT, Dilma deve se perguntar: “com Lula como amigo, quem precisa de inimigos?”

Em reportagem, jornal britânico destaca a "novela" da austeridade no Brasil, em meio a pressão de Lula para que Joaquim Levy saia da Fazenda

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SÃO PAULO – “A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, deve se perguntar às vezes que, com amigos como o seu antecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, quem precisa de inimigos”. É o que destaca a reportagem do Financial Times do último final de semana, falando sobre as tensões entre a presidente tecnocrata e o populista carismático, que têm diversas reviravoltas e remontam às telenovelas brasileiras, “em que muitas vezes amigos e familiares se apunhalam pelas costas”.

O jornal britânico afirma que a última coisa que a presidente precisa é de um inimigo interno, uma vez que sofre a ameaça do impeachment. Para a economia brasileira, disputas de poder internas do partido minam ainda mais a confiança dos investidores.

As diferenças entre Dilma e Lula sempre existiram, afirma o jornal, mas raramente se tornaram públicas como neste mês. A última briga, destaca a publicação, foi quando Lula criticou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em encontro com integrantes do PT.O jornal lembra que, depois da expansão fiscal realizada no primeiro mandato de Dilma, a presidente nomeou Levy como ministro para conduzir o ajuste fiscal.

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“O problema para Lula e o PT é que o programa de austeridade de Levy, que inclui reprimir os empréstimos bancários estatais e aumentar as taxas de juros para conter a inflação, não poderia ter vindo em pior hora. O partido já está profundamente impopular em meio ao escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras”. Além disso, a recessão tem puxado o desemprego para cima, enquanto a inflação está subindo – um golpe duplo para os eleitores do núcleo do PT dentro dos sindicatos e classes trabalhadoras. E, com as eleições municipais no próximo ano se aproximando, o PT teme que o programa de austeridade de Levy seja um para-raios para a raiva popular, afirma.

Assim, em um Congresso sindical, Lula atacou o ministro, enquanto Dilma foi em defesa de Levy (também em meio aos rumores de que ele sairia do cargo).

O jornal afirma que as aparentes divergências entre Dilma e Lula podem ser um jogo de cena para manter a base do PT. Na prática, a suposta briga com Dilma faz pouco sentido porque segue uma recente remodelação do gabinete que incorporou mais políticos próximos a Lula. O ex-presidente raramente esteve tão intimamente envolvido com o dia-a-dia da administração de Dilma como hoje, dizem os analistas.

E Lula, afirma o jornal, poderia ter razões pessoais para atacar Levy. O FT cita a investigação da Operação Lava Jato, com uma das delações premiadas implicando o nome de uma nora do ex-presidente. Lula negou qualquer irregularidade.

Mas se a temperatura do caso Petrobras continua a aumentar, não vai fazer com que o ex-presidente perca o apoio de partidários do partido na rua e no Congresso. “O perigo é que, se ele continuar a fazer isso à custa da ‘companheira Dilma’, corre o risco de levar a casa inteira para baixo. Se Levy saísse de repente, poderia desencadear uma crise cambial. Ou os eleitores já irritados com o PT em meio à recessão e à corrupção poderiam fazer algo estilo telenovela e abandonar a festa”, afirma o jornal.

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