Fique de olho

Os 5 assuntos que vão agitar os mercados nesta terça-feira

Confira no que ficar de olho nesta terça-feira antes de operar na B3

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SÃO PAULO – Nesta terça-feira (27), no Brasil, o mercado repercute a denúncia da PGR contra Michel Temer, que deve ameaçar mais o quadro de reformas do que o mandato do presidente. Já no exterior, atenção para as falas de Janet Yellen e Mario Draghi e para o possível ânimo de ações como Vale e Petrobras em meio à alta do minério de ferro e do petróleo. No noticiário corporativo, atenção para a assembleia da Vale. Confira os destaques desta terça-feira:

1. Bolsas mundiais

As bolsas europeias têm um dia misto nesta terça-feira antes da fala de Janet Yellen e repercutindo as falas do presidente do BCE (Banco Central Europeu), Mario Draghi. Ele afirmou que o BCE deve ajustar a política monetária apenas gradualmente uma vez que a zona do euro ainda precisa de suporte “considerável” apesar da recuperação mais forte do crescimento e da inflação. Draghi também indicou possíveis mudanças na política do BCE, que inclui fortes compras de ativos e taxas de juros muito baixas, mas afirmou que qualquer mudança dependerá de condições globais de financiamento favoráveis.

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Já na Ásia, os mercados acionários da China recuperaram as perdas na sessão e fecharam em alta nesta terça-feira, mas os investidores ficaram cautelosos em meio a uma forte valorização das ações de blue-chips depois que o MSCI adicionou 222 ações do país ao seu Índice de Mercados Emergentes na semana passada.

O dia é ânimo para as commodities: o petróleo tem 4ª alta seguida com expectativa de queda dos estoques americanos; metais em Londres avançam e o minério de ferro sobe na China após premiê Li Keqiang dizer que o país deve atingir meta de crescimento.

Às 8h10, este era o desempenho dos principais índices:

*CAC-40 (França) -0,48%

*FTSE (Reino Unido) 0%

*DAX (Alemanha) -0,36% 

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*Hang Seng (Hong Kong) -0,12% (fechado)

*Xangai (China) (fechado) +0,19% (fechado)

*Nikkei (Japão) +0,36% (fechado)

*Petróleo WTI +1,01%, a US$ 43,80 o barril

*Petróleo brent +1,18%, a US$ 46,37 o barril

*Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian +6,03%, a 457 iuanes

*Minério de ferro spot negociado no porto de Qingdao  +5,20%, a US$ 59,70 a tonelada

2. Denúncia contra Temer

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O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou ontem o presidente Michel Temer ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo crime de corrupção passiva. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também é uma das provas usadas no processo. 

Mesmo com a chegada da denúncia, o STF não poderá analisar a questão antes de uma decisão prévia da Câmara dos Deputados. De acordo com a Constituição, a denúncia apresentada contra Temer somente poderá ser analisada após a aceitação de 342 deputados, o equivalente a dois terços do número de deputados da Câmara. A avaliação de analistas políticos é de que Temer terá o número suficiente de votos para barrar a denúncia. Porém, ainda mais levando em conta a expectativa por novas denúncias do procurador, as reformas econômicas devem ser ainda mais prejudicadas. 

3. Reformas e pacote de bondades

Mesmo com a expectativa de que as reformas atrasarão, algumas reformas seguem no Congresso, como é o caso da trabalhista. A CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado realiza duas audiências públicas sobre a reforma: a primeira audiência ocorre às 10h00 e a segunda começa às 15h00.  Já o  presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) afirmou ontem que a reforma da Previdência pode ser votada no plenário da Câmara apenas em agosto.  Ele afirmou que, para a reforma voltar à tramitação na Casa, o Congresso precisa superar a crise e analisar a eventual denúncia contra Temer. “Vamos passar essa crise para que a gente volte a discutir a reforma da Previdência com condições de aprovar um texto que garanta a solvência do sistema”, disse Maia.

O Globo noticia que, em meio à baixa popularidade, o governo Temer investe em “pacote de bondades”. Na segunda-feira, Temer engavetou uso do FGTS no seguro-desemprego, a Caixa informou que negocia empréstimos para estados e municípios, e o BNDES lançou um programa que facilita o crédito para pequenas e médias empresas. Na quinta-feira, serão anunciadas 100 mil bolsas de estudo, dentro do Fies (Financiamento Estudantil). Outra iniciativa é a liberação de R$ 1 bilhão para o Cartão Reforma, dinheiro da União a fundo perdido para custear reformas nas residências. Como já informado anteriormente, há também pressão da ala política por redução de tributos e correção da tabela do Imposto de Renda (IR). Mas, como as medidas somente terão impacto para os contribuintes em 2018, só deverão ser anunciadas no fim do ano.

 

4. Agenda de indicadores

O Banco Central divulga nota ao setor externo de maio às 10h30. A expectativa de um superávit no saldo em transações correntes um pouco acima do observado em abril (de US$ 1,2 bilhão).  Além disso, o BC oferta até 8.200 contratos de swap cambial para rolagem dos contratos de julho, 11h30 às 11h40, resultado às 11h50. Entre os indicadores que já saíram, destaque o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que mede a inflação na cidade de São Paulo, subiu 0,04% na terceira quadrissemana de junho, após avançar 0,05% na segunda leitura deste mês, 

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Nos EUA, chamam atenção os discursos de diversos diretores do Federal Reserve, com destaque para a fala da chairwoman Janet Yellen às 14h. Antes disso, John Williams (San Francisco), fará discurso de manhã e Peter Harker, diretor do Fed de Filadélfia, falará às 12h. Às 18h30, será a vez de Neel Kashkari, de Mineapólis, fazer seu discurso.  

5. Noticiário corporativo

O processo de reestruturação societária da Vale, anunciado em 20 de fevereiro e que visa ampliar a governança da companhia, será votado em assembleia extraordinária de acionistas nesta terça às 10h. Há expectativa de que a Vale discuta novo modelo de controle, deixando a companhia sem um um grupo controlador claro. 

Já a  Petrobras precisou paralisar a produção da plataforma P-35, no campo de Marlim, na Bacia de Campos, após registrar vazamento de pequena quantidade de água oleosa no mar,. A petroleira explicou que o vazamento, já contido, não deixou feridos, e que a plataforma encontra-se em condição segura. A Itaúsa, braço industrial do grupo Itaú Unibanco, informou que aprovou a participação em análises da Cambuhy para compra de participação da J&F na Alpargatas. 

A empresa de cosméticos Natura anunciou ter feito a assinatura da compra de 100% da marca britânica The Body Shop que pertencia à francesa L’Oreal. A compra foi feita por meio da Natura International, que tem sede na Holanda. O Bradesco renova programa de recompra de ações. Já a Eletrobras diz que estrangeiros querem parceria em Angra 3, segundo O Globo. No radar de recomendações, a Valid é iniciada com recomendação neutra pelo Bradesco BBI.

(Com Agência Brasil, Agência Estado, Reuters e Bloomberg)