Análise da Eurasia

Os 2 motivos que sustentam o impressionante (e resiliente) patamar de Bolsonaro nas pesquisas eleitorais

De acordo com a Eurasia, o expressivo patamar do deputado federal nas pesquisas é um indicativo do descontentamento com os políticos tradicionais e maior poder das redes sociais

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SÃO PAULO – Um campo aberto para 2018, mas com algumas tendências bastante fortes que já podem ser observadas para o pleito do ano que vem. É assim que a consultoria de risco Eurasia Group vê o cenário destacado pela última pesquisa Datafolha em relatório da última segunda-feira (4).

A pesquisa mostrou que o ex-presidente Lula (PT) e o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ, mas em vias de se mudar para o PEN-Patriota) estão na dianteira do levantamento. O candidato petista obteve 34% e 37% dos votos em distintos cenários, segundo o levantamento realizado entre os dias 29 e 30 de novembro. Bolsonaro registrou entre 17% e 19% das intenções de voto. 

E é sobre o deputado fluminense que os analistas políticos da consultoria destacam grande parte de suas percepções sobre como será o pleito do ano que vem. Conforme apontam os analistas da consultoria, o nível de apoio de Bolsonaro é impressionante em comparação com outros candidatos que já concorreram à presidência, uma vez que ele só foi deputado federal pelo Rio de Janeiro.

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Para a consultoria, o nível de apoio alto é a evidência de duas tendências: i) os
eleitores estão profundamente desencantados com a classe política e ii) o uso das mídias sociais, que será cada vez mais importante nas eleições nacionais, diminuindo o domínio relativo que o tempo de televisão já teve um dia na configuração das eleições presidenciais no Brasil. 

“O último ponto é particularmente importante porque parece ser um ponto para a suposição de que um candidato centrista e pró-reforma tem uma alta probabilidade de ganhar. Enquanto o tempo de TV será uma vantagem importante, o aumento relativo das mídias sociais sugere que não será uma vantagem tão grande quanto nas eleições anteriores”, aponta a Eurasia.

Assim, avalia a consultoria, ambas as tendências sugerem que a posição de Bolsonaro não cairá facilmente mesmo quando ele não tem muito tempo de TV durante a campanha. Essa avaliação contraria a visão do próprio ex-presidente Lula que, segundo a coluna Expresso, da Época, tem acalmado os petistas mais preocupados com o “fenômeno Bolsonaro”. Segundo Lula, a popularidade do deputado federal derreterá na campanha presidencial de 2018. 

Cenário com Lula X Cenário sem Lula

Enquanto isso, conforme já destacou a consultoria em outras oportunidades, eles não veem o “risco Lula” para a eleição, apesar de seguir na dianteira das pesquisas e ver a sua rejeição diminuir. Para os analistas, o petista deve ser impedido de se candidatar em meio à perspectiva de condenação em segunda instância no caso “triplex do Guarujá”. 

Mesmo implicado, uma das avaliações para a melhora de Lula nas pesquisas é o  fato das investigações criminais terem se espalhados por outros partidos. Como a Lava Jato mudou o foco para a liderança de todos os principais partidos nacionais, incluindo o PMDB do presidente Michel Temer e o PSDB, e se distanciou do PT, o ex-presidente (em comparação), é visto como “menos ruim”;. Assim, os eleitores poderiam lembrar-se de que Lula melhorou as condições econômicas sob seu governo, aponta a Eurasia.

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E, caso ele concorra, o cenário também muda. “Não porque isso aumentaria significativamente as chances de ele ganhar as eleições, mas mais porque ditaria a corrida para o segundo turno”. Mas, sem o petista, o risco para o mercado não seria eliminado: com as chances para Bolsonaro participar de um segundo turno crescendo, o campo ainda estaria muito aberto, enquanto os principais da saída do petista seriam Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva.

Novamente, a posição relativa dos candidatos nesta fase inicial do jogo precisa ser olhada com cuidado, aponta a Eurasia. Um candidato centrista e reformista como Geraldo Alckmin, que tem apenas 6% das intenções de voto no primeiro turno, certamente cresceria durante a campanha, apontam os analistas. Contudo, o cenário de competição entre candidatos centristas deve ser acirrado.