Nova legislação sobre clima nos EUA favorece mercados verdes, diz Deutsche Bank

Senado norte-americano discute Climate Security Act; medida criaria pressão por mudanças em países emergentes

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SÃO PAULO – O Deutsche Bank divulgou nesta segunda-feira (5) estudo sobre mudanças na política dos Estados Unidos para o meio ambiente, bem como seus possíveis efeitos globais e regionais.

Sob a administração George W. Bush, os Estados Unidos recusaram-se a assinar o protocolo de Kyoto, que estipula aos signatários a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa e a criação de um mercado para a negociação de créditos de carbono.

Segundo o relatório, a situação é irônica, uma vez que a criação de mecanismos de mercado para o enfrentamento do problema foi incentivada pelos EUA. Contudo, o governo Bush preferiu lançar plano alternativo, que previa redução de 18% das emissões entre 2002 e 2012, baseada em incentivos à renovação tecnológica.

Legislação mais rígida

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Contudo, o estudo ressalta a ampliação da pressão popular por uma grande mudança na política relacionada ao clima do maior emissor de carbono do planeta. Um novo marco legislativo, denominado Climate Security Act, vem sendo debatido no Senado do país.

A nova legislação estabelece como meta a redução de cerca de 40% das emissões totais de carbono no país até 2030, com a adoção de estímulos e a criação de um gigantesco mercado para créditos de carbono.

As medidas são apoiadas pelos três principais candidatos à sucessão presidencial no país, John McCain, Hilary Clinton e Barack Obama, além de encontrarem precedentes em diversos governos locais.

O arcabouço jurídico mais rígido também possibilitará o aumento da pressão sobre os países emergentes, a fim de que estes adotem medidas mais restritivas às emissões. A competição com estes mercados é alegada como um motivo para a não adoção de medidas mais fortes no país.

Mercados e investimentos

Para o Deutsche Bank, os chamados “mercados verdes” serão os maiores beneficiários das medidas. A adoção de marco regulatório de longo prazo aumenta a previsibilidade de preços e o incentivo a investimentos.

Outros fatores favoráveis seriam a grande disponibilidade de venture capital, bem como a influência cada vez maior do meio ambiente como fator decisivo para a gestão de ativos e o consumo.

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Por fim, a presença de instituições de pesquisa e desenvolvimento de classe mundial, bem como a implementação de política industrial em linha com a nova legislação favorecerão o desenvolvimento de novas tecnologias, especialmente no que diz respeito à energia. Atualmente, cerca de 50% da eletricidade fornecida no país tem origem em usinas termoelétricas a carvão.