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Noticiário sobre (suposto) triplex de Lula dominou final de semana; veja mais notícias

Engenheiro falou sobre reforma de triplex, novidades também na Zelotes sobre o ex-presidente e Cunha voltando ao noticiário também no radar

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SÃO PAULO – O grande tema da semana passada voltou a ganhar destaque no sábado e domingo: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o seu suposto triplex no edifício Solaris, no Guarujá (SP), e novas informações também da Operação Zelotes.

Na semana passada, o Ministério Público de São Paulo intimou o ex-presidente e a mulher dele, Marisa Letícia, para prestar depoimento como investigados, no dia 17 de fevereiro, sobre o tríplex no Condomínio Solaris. A suspeita do Ministério Público Federal é de que proprietários de apartamentos do condomínio usaram o nome de terceiros para ocultar patrimônio.

Na ocasião, o ex-presidente divulgou nota em sua página no facebook, afirmando serem infundadas as suspeitas dos promotores e levianas as acusações de suposta ocultação de patrimônio.

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Porém, não foi só Lula que dominou o noticiário: novas informações de delatores sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entre outros assuntos, foram destaque. Confira:

Engenheiro fala sobre reformas no triplex
O engenheiro da OAS Igor Pontes, que acompanhou as reformas no tríplex cuja opção de compra pertencia à família de Lula, disseo em depoimento aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato, na semana passada, que seria possível inferir que a obra estava sendo feita seguindo o gosto do ex-presidente, segundo o jornal Folha de S.Paulo, com base em relatos de pessoas que tiveram acesso ao depoimento dele

O  engenheiro é apontado por testemunhas ouvidas pelo MP do Estado de São Paulo, que também investiga o caso, como o principal elo entre a família do petista e a empreiteira OAS, que fez a reforma na unidade 164A, atribuída ao ex-presidente.

Lava Jato investiga outros imóveis da Bancoop
Segundo informações do jornal O Globo, além do do condomínio Solaris, no Guarujá, , a força-tarefa da Lava-Jato investiga outros empreendimentos que eram da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo ) e foram assumidos pela OAS. Os investigadores apuram crimes de sonegação e ocultação patrimonial, além de indícios de que parte dos imóveis tenha sido usada para repasse de propina. Um dos apartamentos sob investigação é do presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, dono de imóvel registrado em nome da OAS em bloco do Residencial Altos do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo.

 Freitas negou qualquer crime e disse ter comprovantes de quitação do imóvel, sinalizou que, apesar de ter pagado pelo apartamento “há três ou quatro anos”, ainda não tomou providências para alterar o registro em cartório. Com a divulgação do caso, Freitas pretende fazer a transferência de registro nesta segunda-feira (31).

Lula rebate Geraldo Alckmin
Em nota, Lula rebateu na tarde de sábado (30), as críticas feitas pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que afirmou que “Lula é o retrato do PT, partido envolvido em corrupção, sem compromisso com as questões de natureza ética, sem limites”.

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 A assessoria de imprensa do Instituto Lula citou na resposta os desvios no Metrô e na compra de merenda escolar . “Seria mais proveitoso para a população de São Paulo se a imprensa perguntasse e o governador explicasse os desvios nas obras do metrô e na merenda escolar, a violência contra os estudantes e os números maquiados de homicídios no estado, ao invés de tentar desviar a atenção para um apartamento que não é e nunca foi de Lula”, disse o instituto.

Caso triplex é uma farsa, diz Instituto Lula
Em nota divulgada no domingo (31), o Instituto Lula diz que adversários do ex-presidente tentam criar um escândalo, “a partir de invencionices” no episódio envolvendo a suposta propriedade do triplex.

Mostrando imagens de documentos relativos ao processo, a nota faz um histórico a respeito da cota em um empreendimento da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop). Segundo o texto, a mulher de Lula, Marisa Letícia, pagou, entre maio de 2005 e dezembro de 2009, as prestações mensais e intermediárias do carnê da Bancoop. “Como fez para cada associado, a Bancoop reservou previamente uma unidade no futuro edifício –  no caso, o apartamento 141, uma unidade-padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área privativa de 82,5 metros quadrados.

Ao fim desse período, de acordo com o texto, a Bancoop passava por crise financeira e estava transferindo vários de seus projetos a empresas incorporadoras, entre elas a OAS. A família, mesmo não tendo aderido ao novo contrato com a “incorporadora OAS, manteve o direito de solicitar a qualquer tempo o resgate da cota de participação na Bancoop e no empreendimento” e como não houve adesão ao novo contrato, a unidade foi vendida para outra pessoa.

Na nota, o instituto diz que o ex-presidente, na condição de cônjuge em comunhão de bens, declarou ao Imposto de Renda “regularmente a cota-parte do empreendimento adquirida por sua esposa” e que a informação consta da declaração de bens de Lula como candidato à reeleição, registrada no Tribunal Superior Eleitoral em 2006.

Segundo o texto, um ano depois de concluída a obra do Edifício Solaris, o ex-presidente Lula e Marisa Letícia visitaram, junto com o então presidente da OAS, Léo Pinheiro, o apartamento triplex que estava disponível para venda e que foi a única vez em que Lula esteve no local. “Marisa Letícia e seu filho Fábio Luís Lula da Silva voltaram ao apartamento, quando ele estava em obras. Em nenhum momento, Lula ou seus familiares utilizaram o apartamento para qualquer finalidade”.

O texto acrescenta que a família desistiu da compra, “mesmo tendo sido realizadas reformas e modificações no imóvel (que naturalmente seriam incorporadas ao valor final da compra) e que as “notícias infundadas, boatos e ilações romperam a privacidade necessária ao uso familiar do apartamento”.

O instituto conclui afirmando que fracassaram todas as tentativas de envolver o nome do ex-presidente no processo da Lava Jato, “apesar das expectativas criadas pela imprensa, pela oposição e por alguns agentes públicos partidarizados, ao longo dos últimos dois anos”, que também fracassarão as tentativas de envolver o ex-presidente na suposta venda de medidas provisórias e que a denúncia “restará sepultada nos autos e perante a história”.

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Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o promotor Cássio Conserino viu incoerência nas informações apresentadas. “O que eu posso falar é que é incoerente com as próprias notas do instituto. Antes eles tinham uma cota e agora eles têm uma unidade habitacional específica. Nem eles sabem o que eles têm”, disse Conserino.

No Ministério Público paulista, a avaliação inicial é de que as informações corroboram os indícios de tentativa de ocultação de patrimônio.

Lula nas mãos de Dilma
Segundo o Estadão, um aspecto curioso chamou a atenção de quem falou com Lula na última semana. Embora na mira da Lava Jato e do MP de SP por causa do triplex, o ex-presidente só falava de economia , principalmente das expectativas quanto à reunião da presidente Dilma Rousseff com o Conselhão, realizada na quinta-feira.

Isso porque, ciente dos danos que as suspeitas de envolvimento com empresas investigadas na Lava Jato têm causado à sua imagem, o ex-presidente só vê chance de recuperar a reputação em curto ou médio prazo se Dilma corrigir o rumo da economia e chegar ao fim de seu mandato com índices razoáveis de aprovação. Segundo um aliado, “Lula agora está nas mãos da Dilma”.

Zelotes – Lobista preso cita “ligação” com Lula como facilitadora de negócio
Uma carta apreendida pela Polícia Federal na Operação Zelotes e revelada pelo Estadão indica que o lobista Mauro Marcondes Machado, preso em Brasília, usava de sua suposta proximidade com o ex-presidente Lula para vender seus serviços a potenciais clientes.

Em texto enviado ao ex-presidente da Scania para a América Latina Sven Harald Antonsson, Marcondes se colocou à disposição da companhia para ajudá-la em função de sua “ligação com o presidente da República, vários ministros de Estado e instituições ligadas à indústria”.

A mensagem não é datada. Porém,, segundo a investigação, coincide com a vinda do executivo ao Brasil,  em 2008, no segundo mandato de Lula. Marcondes está preso desde outubro do ano passado e responde a ação penal por participação em esquema de lobby e corrupção para viabilizar a edição, pelo governo, e a aprovação, pelo Congresso, de medidas provisórias de interesse do setor automotivo. Ele atuava como lobista de montadoras em diversas frentes.

A Zelotes apura se pagamentos de R$ 2,5 milhões feitos pelo lobista a um dos filhos do ex-presidente, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, têm relação não só com a edição de medidas provisórias, mas com a aquisição dos jatos suecos, da Saab, para a Defesa brasileira.

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Cunha tem mais contas no exterior
Lula foi o grande destaque do noticiário – mas não só ele. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, Eduardo Cunha é acusado por dois empresários de ter recebido propina em cinco contas no exterior.

O jornal acessou as tabelas  de transferência fornecidas pelos empresários Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, da Carioca Engenharia, em acordo com a Procuradoria Geral da República no âmbito da Lava Jato.

Segundo a Folha, a propina teria objetivo liberar verbas do fundo de investimentos do FGTS para o Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, obtido em concessão pela Carioca em consórcio com a Odebrecht e a OAS. O dinheiro seria liberado por Fábio Cleto, aliado de Cunha que passou por uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal e pelo conselho do fundo de investimento do FGTS.

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