Mercado vê transição política no Egito com bons olhos, apontam analistas

Economia local deverá se recuperar rapidamente; propagação de manifestações pela região tem potencial reduzido

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SÃO PAULO –  “Está claro que os investidores veem positivamente o processo de transição democrática no Egito”, afirmou o analista-chefe do Danske Bank, Lars Christensen. Ainda assim, após a queda do agora ex-presidente Hosni Mubarak, no Egito, surgem questionamentos acerca do futuro político e econômico do país e da região.

Segundo o conselho supremo das forças armadas que assumiu o governo na última sexta-feira (11), está mantido o calendário eleitorial que prevê um novo pleito em setembro deste ano. 

No último domingo, a junta militar ainda suspendeu a constituição e dissolveu o parlamento do país. “Daqui para frente parece que será razoavelmente rápida a transição para um regime civil e democrático no Egito”, afirmou Christensen.

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Sem mudanças na economia
No que se refere à econômia, o analista crê que o governo não promoverá mudanças estruturais no período de transição, por acreditar que os tecnocratas permanceçam à frente da condução da política econômica.

Christensen se mostra otimista com a recuperação econômica do país, afirmando que a “economia egípicia irá se recuperar relativamente rápido dos impactos dos eventos ocorridos nos últimos meses”.

Manutenção da paz com Israel
Ademais, o analista ressalta a afirmação dos militares egípicios de que o país seguirá cumprindo seus tratados internacionais, como o assinado em 1977, que firma a paz com Israel, o que é “obviamente positivo sob uma perspectiva de mercado”, aponta Christensen.

Quanto à possível propagação de movimentos pró-democráticos pelo Oriente Médio e norte da África, como os protesto ocorridos no último final de semana no Iêmen e na Argélia, o analista crê que estes países possuem uma importância geopolítica consideravelmente menor que a do Egito.

Para ele, essas novas manifestações não deverão ter o mesmo impacto sob os mercados quanto o movimento responsável pelo fim de 30 anos do governo de Hosni Mubarak.

Bahrein
Já Paul Donovan, economista do UBS, mostrou preocupação com as manifestações ocorridas no Bahrein, o que segundo ele pode gerar certa preocupação nos mercados, na medida em que os protestos podem tomar um tom sectário e ressoar junto a outros produtores de petróleo da região.

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“Tem sido fundamental a não propagação dos protestos para qualquer um dos principais países produtores de petróleo”, crivou Christensen.

E se as demandas não forem atingidas?
Para o Barclays, a população não ficará constrangida em ir às ruas novamente, caso as vejam frustradas as suas demandas. Qualquer hesitação no pacote de reformas deverá gerar ainda mais instabilidade e complicar as perspectivas acerca da economia Egípicia.

A situação fiscal e a posição externa do país é significativamente frágil no curto e médio prazo, o que requer uma transição rápida, mas organizada, ainda segundo a equipe de analistas do Barclays.