Intimação

Mendes diz que presidente da CUT deveria ser intimado por falar em “pegar em armas”

Segundo o ministro do STF, declaração é inaceitável, principalmente por ter sido feita em presença da presidente Dilma Rousseff

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SÃO PAULO – O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, disse que o presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, deveria ser intimado a depor no Ministério Público por ter falado em “pegar em armas” para defender a presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista à rádio Estadão, Mendes afirmou que os brasileiros estão frequentemente sendo assaltados por declarações violentas, como teria ficado claro na campanha das eleições presidenciais de 2014. 

Freitas disse no evento “Diálogo com Movimentos Sociais”, com Dilma e membros da base do PT, que se houver uma tentativa de golpe para derrubar a presidente ele convocará os movimentos sociais para ir à “rua entrincheirados, com armas na mão”. O presidente da CUT afirmou ainda que, se houver “qualquer tentativa de atentado à democracia, à senhora, ou ao presidente Lula nós seremos um exército”.

O ministro acredita que a situação ficou ainda mais grave por ter ocorrido na presença de Dilma, que é a comandante-chefe das Forças Armadas devido ao seu cargo. “Nós temos tantas organizações para proteger o meio ambiente, para defender o mico leão dourado… e para proteger a democracia?”, questionou. 

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Gilmar Mendes criticou fortemente os movimentos sociais por conta da fala de Freitas. “São manifestantes que vivem de subsídios e ameaçam a sociedade porque ela decidiu fazer manifestação. Isso é inaceitável!”, disparou. 

Na entrevista, o ministro falou ainda que as manifestações contra Dilma possuem um significado muito importante, que não pode ser desprezado. No entanto, ele desconversou sobre a base legal para o impeachment da presidente, dizendo que é tarefa das forças políticas buscarem uma solução para a crise institucional que se apoderou do Brasil. 

Mendes aproveitou para elogiar o trabalho do juiz responsável pela condução dos julgamentos da Operação Lava Jato, Sérgio Moro. “Ele personaliza neste momento a ideia de combate à corrupção e realiza um excelente trabalho. Veja quanta coisa foi revelada desde o início desta operação”, afirmou. Moro foi responsável tanto pela prisão de José Dirceu quanto pelo bloqueio de R$ 20 milhões do ex-ministro-chefe da Casa Civil, além de decretar a prisão de outros nomes de alto escalão como o empresário Marcelo Odebrecht.