Críticas à senadora

Marta Suplicy foi sórdida ao expor Lula publicamente, diz assessor do ex-presidente

Em entrevista à Rede Brasil Atual e Folha, Paulo Vannuchi criticou duramente a senadora e destacou que a sua estratégia foi cômoda dado o antipetismo no estado de São Paulo

SÃO PAULO – O diretor do Instituto Lula, Paulo Vannuchi, criticou duramente a senadora Marta Suplicy (PT-SP) ao comentar a entrevista da petista com críticas ao partido e à Dilma Rousseff. A entrevista foi concedida para a Rede Brasil Atual e para a Folha de S. Paulo

Segundo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos, Marta agiu de forma “sórdida”, “chocante”, “condenável” e “inaceitável”, entre outros adjetivos, a “manobra” usada pela senadora ao revelar as conversas particulares que ela teve com Lula. “Ela tem direito de falar o que quiser,  masela não tem direito de ser sórdida. Ela foi sórdida ao expor Lula publicamente, na versão de que Lula é adversário de Dilma”, destacou. 

“O elemento sórdido – sem dúvida é um elemento sórdido, condenável, inaceitável da entrevista de Marta– […] foi expor Lula publicamente na versão de que o Lula, no fundo, é o grande adversário da [presidente] Dilma [Rousseff]”, afirmou Vannuchi.

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Em entrevista ao Estadão no último dia 10, Marta disse que, num jantar organizado por ela e empresários, Lula “entrou nas críticas” dos presentes. “A manobra de Marta é sórdida porque deixa para Lula duas opções: ou a de ficar quieto, e, ao ficar quieto, deixa a mídia alimentar que tudo o que ela fala é verdade; ou Lula se rebaixa, rigorosamente se rebaixa, e vem a público dizer ‘olha, a Marta não me entendeu bem, nunca disse isso'”.

“Sou assessor de Lula há mais de 30 anos, trabalho bem perto dele hoje. Ele ouviu argumentos, compartilhou críticas das centrais sindicais, de empresários e da base aliada de falta diálogo e apresentou-as em primeira mão à Dilma”, afirmou.

Vannuchi ainda destacou que Lula condenou asperamente as articulações para mudar as leis para que ele conseguisse um terceiro mandato. Segundo o assessor, Lula declarava que a democracia brasileira é jovem demais para passar por um acidente deste tipo e que “FHC já teria errado muito” com a emenda da reeleição, “não só momento pela questão dos votos comprados, mas por mudar regras do jogo no meio do jogo”. Vannuchi ainda falou que que Lula participou da campanha de Dilma até mais do que a própria presidente, que tinha que governar. 

“O que ela [Marta] quer e nós sabemos bem é um mandato a qualquer maneira. É o tipo de liderança que não se forjou na ação de um coletivo. Ela veio para o PT como personalidade, não só como seu trabalho na TV, na TV Mulher, mas como esposa de Eduardo Suplicy, um grande ícone do partido. Ela rompe com esta história com a velha opinião de ‘quem tem força sou eu e não o partido'”.

Ele afirma que, neste momento, a estratégia dela é cômoda no estado de São Paulo, porque de fato foi semeado e se alastrou um gigantesco ódio ao partido no estado, “que precisa ter como prioridade desfazer, desarmar”. E ela, como senadora do partido, ex-prefeita da capital, um grandes nomes do PT no estado, sinaliza para que “continuem odiando o PT e comecem a apoiá-la”.

De acordo com o diretor do Instituto, o pano de fundo desta reação é o processo de refortalecimento do atual prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que com as novas medidas, sinaliza aumento apoio e popularidade ao mudar o critério de pagamento da dívida municipal com governo federal. Isso coloca em suas mãos já para este ano alguns bilhões de investimento, fazendo com que ele surja como um candidato forte à reeleição.