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Marina elogia FHC em artigo e afirma: “o governo não está em crise, ele é a crise”

A ex-presidenciável pelo PSB fez um diagnóstico sobre os protestos e destaca: "menos gente nas ruas pode significar aumento da desesperança"

SÃO PAULO – Em artigo publicado um pouco antes das manifestações de rua do último domingo (12),  a ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva fez um diagnóstico sobre a crise e relativizou o fato dos protestos reunirem menos pessoas do que os de março. 

“A questão não é o número de pessoas. Menos gente nas ruas não significa menor insatisfação; ao contrário, pode até significar um aumento da desesperança, o represamento de uma revolta que pode retornar mais forte depois de algum tempo”, afirmou.

E afirma que o governo não está em crise, ele é a crise, isso porque está “isolado pelos aliados, sabotado por seus próprios integrantes, solapado até pelos que lhe deram origem”. Assim, afirma, o governo dá respostas atabalhoadas aos problemas, a maioria criados por ele mesmo.

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Contudo, ela destaca que ainda há tempo. “O país ainda não afundou em uma crise constitucional e, sejamos justos, essa precária estabilidade deve-se em grande parte ao comportamento comedido e responsável de boa parte da oposição que, embora apoiando e considerando legítima a revolta da sociedade, não se lança na articulação de pretensas saídas que possam gerar o risco de fragilização do processo democrático”, afirma.

E Marina ainda afirma reconhecer e querer destacar “entre todos o exemplo de lucidez e responsabilidade republicana do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que, sem abdicar de suas críticas ao governo, tem contribuído para analisar a crise política do país de um ponto de vista mais amplo, alertando para a necessidade de preservar o estado de direito conquistado com o fim da ditadura”.

Marina afirma que o sistema político se move descolado da sociedade e muitas vezes contra ela, “mas não ao ponto de descuidar de sua própria sobrevivência e, por isso mesmo, está bem atento ao que ela antecipa. Agora mais ainda, pois ela antecipa, cada vez mais explicitamente, uma negação do sistema, de seus meios e de seus fins”.

A ex-ministra ainda cobrou de Dilma uma resposta às manifestações. “O protesto fornece à presidente da República mais uma oportunidade de responder diretamente, sem terceirizar sua relação com a sociedade. Terá força e disposição para fazer isso? Espero que sim”.