Lula espera apoio de França e Itália para assinatura do acordo Mercosul-UE no sábado

Presidente destaca resistência de produtores rurais franceses, mas aposta em avanço do acordo que pode fortalecer comércio e reduzir dependência da UE da China

Reuters

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 
23/11/2025
REUTERS/Esa Alexander
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva 23/11/2025 REUTERS/Esa Alexander

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta terça-feira (16) a expectativa de que França e Itália apoiem a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, prevista para o próximo sábado em Foz do Iguaçu.

Segundo Lula, há disposição dos dois blocos para firmar o acordo, mas produtores rurais franceses resistem por temerem que produtos brasileiros prejudiquem sua competitividade.

“O presidente (Emmanuel) Macron está muito preocupado com os produtores rurais da França, que acreditam que vão perder competitividade na disputa com o Brasil. Eles não querem fechar o acordo agora porque a população está meio rebelde na França”, afirmou Lula durante reunião do Conselho de Participação Social.

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“Mesmo eu dizendo a ele que o Brasil não compete com os produtos agrícolas da França. Na verdade, são coisas diferentes, qualidades diferentes. E nós estamos cedendo mais do que eles”, acrescentou o presidente.

Lula também expressou esperança de que Macron e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, assumam a responsabilidade de, no sábado, durante a reunião da Unasul em Foz do Iguaçu com a participação da União Europeia, tragam a boa notícia da assinatura do acordo, sem receio de perder competitividade para o Brasil.

Havia expectativa de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, viajasse ao Brasil no final desta semana para assinar o acordo, que foi negociado por 25 anos e fechado há um ano entre o Mercosul — formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai — e a União Europeia.

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No entanto, o acordo enfrenta resistência de uma minoria significativa de membros da UE, como França, Itália e Polônia.

Países como Alemanha, Espanha e os nórdicos defendem que o acordo beneficiará as exportações europeias, afetadas pelas tarifas comerciais dos Estados Unidos, e reduzirá a dependência da UE em relação à China, garantindo acesso a minerais estratégicos.

Por outro lado, os opositores, que apelidaram o acordo de “carros por vacas”, argumentam que a entrada de commodities baratas poderia prejudicar os agricultores europeus.