Lula diz que UE precisa definir se deseja fechar acordo equilibrado com o Mercosul

"Eu não vou desistir enquanto não conversar com todos os presidentes e ouvir o não de todos", disse

Equipe InfoMoney

Lula ao lado de Olaf Scholz, em Berlim. Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta segunda-feira (4), que discutiu com o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, os esforços para concluir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, argumentando que o bloco europeu precisa definir se deseja um acordo equilibrado.

Ao lado de Scholz em entrevista coletiva em Berlim, Lula disse que vai trabalhar pelo acordo enquanto puder, dizendo que não fechar a parceria depois de 23 anos de negociação seria irracional.

“Eu não vou desistir enquanto não conversar com todos os presidentes e ouvir o não de todos”, disse Lula.

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Scholz, por sua vez, afirmou que tanto a Alemanha como Brasil querem que o acordo entre os dois blocos seja concluído, e que a assinatura do tratado fortalece a relação entre a União Europeia e o Mercosul. Ele disse que é possível conseguir maioria para aprovar o acerto nas instâncias europeias depois de as negociações entre as partes serem finalizadas. “Seria muito bom que o acordo fosse assinado”, afirmou Scholz.

No sábado, o presidente francês Emmanuel Macron classificou o acordo Mercosul-União Europeia como “antiquado” e afirmou que o modelo é incoerente com a política ambiental brasileira. Lula, por sua vez, atribuiu a posição do presidente francês a uma postura protecionista e disse que teve uma reunião bilateral no sábado para tentar “mexer com o coração” de Macron, que tem visita ao Brasil prevista para março de 2024.

“Foi o Macron. Foi o Sarkozy. Foram todos os presidentes franceses: Chirac, o companheiro do partido socialista, François Hollande. Nenhum deles se dispõem a fazer acordo com o Mercosul porque eles têm problemas políticos com os produtores [rurais] franceses”, pontuou Lula nesta segunda durante discurso em Berlim.

Havia expectativa, por parte do governo brasileiro, de conseguir celebrar o acordo com a União Europeia até a reunião do Mercosul, que ocorre nesta semana no Rio de Janeiro. Nos últimos meses, Lula tem defendido que as nações desenvolvidas busquem equilíbrio na relação com as nações emergentes e parem de tentar obter vantagens sob quaisquer circunstâncias.

Convite a Putin

Ainda na coletiva de imprensa em Berlim, Lula afirmou que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, será convidado para a cúpula do G20, prevista para novembro do ano que vem, no Rio de Janeiro, mas terá que “aferir as consequências” de vir ao país, uma vez que o Brasil é signatário do Tribunal Penal Internacional e tem responsabilidades.

Em março, a corte internacional emitiu um mandado de prisão contra Putin, em uma acusação por crime de guerra pela deportação ilegal de pelo menos 100 crianças da Ucrânia, após a invasão russa ao país vizinho. A medida obriga os 123 Estados-membros do tribunal a prender Putin e transferí-lo para Haia para julgamento se ele pisar em seus territórios.

(Com Agências)

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