Lula diz que descumprimento de acordos climáticos corrói credibilidade e pede urgência em descarbonização

Presidente brasileiro ressaltou que a COP28 não pode deixar de debater a redução da utilização de combustíveis fósseis

Equipe InfoMoney

Dubai, Emirados Árabes Unidos, 01.12.2023 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, discursa na sessão de abertura da Presidência da 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP28), em Dubai. Foto: Ricardo Stuckert/PR

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nesta sexta-feira (01), durante discurso na cúpula climática da Organização das Nações Unidas (ONU) COP28 que o descumprimento de metas de combate às mudanças climáticas corrói a credibilidade dos organismos multilaterais e pediu urgência na descarbonização do planeta.

Lula afirmou que os efeitos das mudanças climáticas atingem mais fortemente as populações mais vulneráveis e lembrou que 2023 caminha para se tornar o ano mais quente da história. O presidente também recordou da seca enfrentada na região amazônica e das fortes chuvas que se abateram sobre a Região Sul do Brasil como exemplos dos extremos climáticos provocados pelas mudanças do clima.

“O planeta está farto de acordos climáticos não cumpridos, de metas de redução de emissões de carbono negligenciadas, do auxílio financeiro aos países pobres que não chega, de discursos eloquentes e vazios. Precisamos de atitudes e práticas concretas”, disse Lula.

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“O não cumprimento dos compromissos assumidos corrói a credibilidade do regime. É preciso resgatar a crença no multilateralismo… É lamentável que acordos como o Protocolo de Kyoto, de 1997, e os Acordos de Paris, de 2015, não sejam implementados.”

Lula também afirmou que a COP28, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, um grande produtor de petróleo, não pode deixar de debater a redução da utilização de combustíveis fósseis.

“É hora de enfrentar o debate sobre o ritmo lento da descarbonização do planeta e trabalhar por uma economia menos dependente de combustíveis fósseis. Temos de fazê-lo de forma urgente e justa”, afirmou.

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Liderar pelo exemplo

Ao argumentar que “governantes não podem se eximir de suas responsabilidades”, Lula disse aos presentes que  nenhum país resolverá seus problemas sozinho, e afirmou que o Brasil está disposto a liderar pelo exemplo, para em seguida citar a redução do desmatamento na Amazônia.

Segundo o presidente brasileiro, a conta das mudanças climáticas não é a mesma para todos e chegou primeiro para as populações mais pobres. Ele lembrou que o 1% mais rico do planeta emite o mesmo volume de carbono que 66% de toda a população mundial. “O mundo naturalizou disparidades inaceitáveis de renda, gênero e raça.”

“Somente no ano passado, o mundo gastou mais de US$ 2 trilhões em armas. Quantia que poderia ser investida no combate à fome e no enfrentamento da mudança climática. Quantas toneladas de carbono são emitidas pelos mísseis que cruzam o céu e desabam sobre civis inocentes, sobretudo crianças e mulheres famintas?”, questionou.

“Trabalhadores do campo, que têm suas lavouras de subsistência devastadas pela seca, e já não podem alimentar suas famílias. Moradores das periferias das grandes cidades, que perdem o pouco que têm quando a enchente arrasta tudo: casas, móveis, animais de estimação e seus próprios filhos. A injustiça que penaliza as gerações mais jovens é apenas uma das faces das desigualdades que nos afligem”, concluiu.

Críticas ao funcionamento da ONU

No plano político, o presidente brasileiro voltou a criticar o desenho atual da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo ele, “é inexplicável que a ONU, apesar de seus esforços, se mostre incapaz de manter a paz, simplesmente porque alguns dos seus membros lucram com a guerra”.

Em falas recentes, o presidente brasileiro tem reivindicado aos países emergentes mais lugares de decisão em organismos internacionais. Com a escalada da guerra entre Israel e Hamas, Lula já havia apontado, em outras ocasiões, para o que classificou como anacronismo da ONU, criada para estimular a cooperação internacional após a Segunda Guerra Mundial.

(Com Agências)

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