Lula diz no G7 que mundo vive ‘múltiplas crises’, com ‘blocos antagônicos’, e pede reforma da ONU

Presidente brasileiro se sentou ao lado de Biden e afirmou que solução não está em 'respostas que contemplem apenas um número pequeno de países'

Lucas Sampaio

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao lado do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante sessão de trabalho do G7 no Japão (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou durante encontro do G7 neste sábado (20) que o mundo vive atualmente “múltiplas crises”, criticou “a formação de blocos antagônicos” e disse que a solução é a reforma da ONU, principalmente de seu Conselho de Segurança.

O discurso foi feito durante sessão de trabalho do G7 (grupo que reúne 7 dos 8 países mais industrializados do mundo). Formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, o G7 não tem a participação da China.

Lula afirmou que “o mundo hoje vive a sobreposição de múltiplas crises”, como a pandemia da Covid-19, as mudanças climáticas, tensões geopolíticas, a guerra entre Rússia e Ucrânia, pressões sobre a segurança alimentar e energética em diversos países e ameaças à democracia.

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“Para enfrentar essas ameaças é preciso que haja mudança de mentalidade. É preciso derrubar mitos e abandonar paradigmas que ruíram”, afirmou o presidente brasileiro. “A solução não está na formação de blocos antagônicos ou respostas que contemplem apenas um número pequeno de países”.

“Sem reforma de seu Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes, a ONU não vai recuperar a eficácia, autoridade política e moral para lidar com os conflitos e dilemas do século XXI”, afirmou Lula em seu discurso.

O presidente brasileiro se sentou ao lado do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, durante a sessão, e disse que “um mundo mais democrático na tomada de decisões que afetam a todos é a melhor garantia de paz, de desenvolvimento sustentável, de direitos dos mais vulneráveis e de proteção do planeta”.

“Isso será particularmente importante neste contexto de transição para uma ordem multipolar, que exigirá mudanças profundas nas instituições. Nossas decisões só terão legitimidade e eficácia se tomadas e implementadas democraticamente”, defendeu Lula.

Lucas Sampaio

Jornalista com 12 anos de experiência nos principais grupos de comunicação do Brasil (TV Globo, Folha, Estadão e Grupo Abril), em diversas funções (editor, repórter, produtor e redator) e editorias (economia, internacional, tecnologia, política e cidades). Graduado pela UFSC com intercâmbio na Universidade Nova de Lisboa.