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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve anunciar nesta semana a desapropriação de uma fazenda para fins de reforma agrária, em resposta à crescente pressão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A informação foi antecipada pelo jornal O Globo e marca uma tentativa do governo de recompor o diálogo com uma das principais forças de sua base social.
O anúncio contemplará a Fazenda Brasileira, localizada entre os municípios de Faxinal e Ortigueira, no Paraná. A área abriga o acampamento Maila Sabrina, onde vivem cerca de 1.600 famílias que aguardam há mais de duas décadas a transformação do local em assentamento oficial.

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A decisão ocorre após o “Abril Vermelho”, período de mobilização nacional promovido pelo MST, que neste ano resultou em 30 ocupações de terra em todo o país. Tradicionalmente, o mês é utilizado como instrumento de pressão política e lembra o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, quando 21 trabalhadores rurais foram mortos pela polícia militar no Pará.
Oportunidade com segurança!
Embora Lula tenha anunciado em março novas linhas de crédito e editais voltados à reforma agrária durante um evento em um assentamento em Minas Gerais, as medidas foram consideradas insuficientes pelas lideranças do MST. O movimento também tem intensificado a cobrança pela substituição do ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, apontando falta de prioridade e conhecimento técnico na condução da pasta.
A desapropriação da Fazenda Brasileira estava inicialmente prevista para abril, mas foi adiada devido a compromissos internacionais do presidente. Agora, o gesto busca desarmar a tensão e sinalizar que a reforma agrária continua na agenda do governo, apesar das restrições orçamentárias e da baixa execução de novas políticas fundiárias nos primeiros meses do ano.
Nos bastidores, o Palácio do Planalto tem pedido “calma” aos militantes, alegando limitações fiscais como entrave para acelerar os programas. A expectativa é de que o anúncio sirva como uma resposta prática à pressão crescente e tente reposicionar o governo junto à sua base no campo.