Lula chama privatização da Eletrobras de “escárnio” e diz que Brasil poderia ser 5ª economia do mundo

Presidente iniciou nesta quinta um "giro" pelos estados para melhorar a imagem do governo em ano de eleição municipal

Equipe InfoMoney

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), discursa no evento "Democracia Inabalada", no Congresso Nacional, em memória à invasão das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 (Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados)

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o Brasil poderia ser consagrado como a quinta economia do mundo, mas que há pessoas que “teimam” em fazê-lo retroceder. Lula também disse estar ainda mais otimista com o crescimento econômico do país e voltou a criticar a privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6).

“Este país já poderia estar consagrado como a quinta economia do mundo há muito tempo, mas há muita gente nesse país que teima em retroceder. O que fizeram com a nossa Petrobras? A privatização da Eletrobras?”, questionou Lula nesta quinta-feira (18), em evento na Bahia. “A privatização da Eletrobras, as pessoas não gostam que se fale, mas foi um escárnio nesse país o que se fez em um setor estratégico como o setor de energia”.

Lula iniciou hoje um “giro” pelos estados, para melhorar a imagem do governo em um ano de eleição municipal, e disse que visitar os entes federados será uma “rotina” sua daqui para frente. Amanhã, sexta-feira (19), ele se encontrará com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, no Ceará (veja mais abaixo).

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Na Bahia, o chefe do Executivo fez um discurso de mais de 20 minutos com forte tom eleitoral. Ele criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem citá-lo nominalmente, e disse que iniciou seu mandato em 2023 com um país “devastado por uma praga de gafanhoto”.

Em resposta à privatização da Eletrobras, feita no governo Bolsonaro, a gestão Lula ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para elevar seu poder de voto em decisões da empresa. No fim do ano passado, o ministro Kassio Nunes Marques encaminhou o processo para uma câmara de arbitragem.

Sociedade “padrão classe média”

O presidente confirmou ter se reunido na noite de quarta-feira (17) com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e disse ter conversado por cerca de duas horas sobre o “futuro econômico do país”. “Sou mais otimista hoje do que eu era durante a campanha”, disse. “Esse país nunca será o país que queremos se não levarmos em consideração que é preciso melhorar a qualidade de vida de cerca de 80% da população”.

Lula disse querer construir uma sociedade com “padrão de classe média” e que vai viajar aos estados como forma para mostrar que “coisas boas acontecem no país”. “Às vezes, você fica sentado à frente da televisão e você quase entra em depressão porque acha que nada está acontecendo de bom no país”.

Dentre os investimentos que fará no Brasil, Lula disse que terá foco na educação. “Esse abuso do crime organizado, posso dizer que tem mil causas, mas a principal é a ausência do estado brasileiro em não cuidar das pessoas no tempo certo”.

Parque Tecnológico Aeroespacial da Bahia

As declarações ocorreram em evento para criar um parque tecnológico na Base Aérea de Salvador, uma parceria firmada pelo governo federal, por meio do Ministério da Defesa e do Comando da Aeronáutica, com o estado da Bahia, governado pelo aliado Jerônimo Rodrigues (PT) e o Senai Cimatec.

A expectativa é que sejam investidos R$ 650 milhões na construção do parque e um valor equivalente em equipamentos e laboratórios. As ilhas de atuação do parque serão divididas em quatro vertentes: Espaço, Defesa, Mobilidade Aérea Avançada e Aeronáutica Comercial. As primeiras operações deverão começar no primeiro semestre de 2025, segundo o superintendente de novos negócios do Senai Cimatec, André Oliveira.

Egito, Etiópia e China

Lula também disse que visitará o Egito e a Etiópia em fevereiro, ao mesmo tempo em que reiterou a intenção de concentrar sua agenda de viagens em 2024 dentro do Brasil. “Virei para a Bahia muitas vezes. Não posso vir no Carnaval, porque no Carnaval eu vou trabalhar”, brincou o presidente. “Alguém precisa trabalhar no Brasil. Eu vou ter que fazer uma viagem dia 13 (de fevereiro) à noite, porque eu vou para o Egito e do Egito eu vou para a Etiópia, participar do Congresso da União Africana”.

“O Brasil precisa de uma vez por todas começar a retribuir a dívida histórica que nós temos com o povo africano. Como o Brasil é um país pobre que não pode pagar a sua dívida em dinheiro, a gente paga em transferência de conhecimento, em transferência de políticas públicas bem-sucedidas, em transferência de tecnologia”, afirmou o presidente.

Na tarde de amanhã, Lula vai se reunir com o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, em Fortaleza. Wang está em viagem oficial para o Brasil, a Jamaica e países africanos e hoje está em Brasília, para reuniões no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty).

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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