Segundo Valor

Líderes governistas advertem mercado sobre reforma da Previdência e apontam: foco será eleição de 2018

Líderes ouvidos pelo jornal Valor Econômico apontam que mercado se precipitou ao precificar a reforma da Previdência como enviada ao Congresso

SÃO PAULO – Muitos sabiam que a reforma da Previdência não teria uma tramitação fácil no Congresso. Contudo, a percepção de líderes governistas, a avaliação é de que o mercado se precipitou ao precificar aprovação da reforma da Previdência enviada pelo governo, segundo informa a coluna de Ribamar Oliveira, do Valor Econômico. 

Os líderes governistas mais importantes concordam que é preciso aprovar uma reforma da Previdência, pois admitem que há graves distorções que inviabilizam o sistema no futuro, diz o jornal. Contudo, consideram que houve uma precipitação do mercado, ao já ter precificado a aprovação da proposta enviada pelo governo. “Houve, sem dúvida, um exagero na avaliação”, advertiu um deles, em conversa com o Valor. 

Isso porque a referência das negociações em curso não será a preocupação com uma eventual reação negativa dos mercados ou dos investidores, no caso da aprovação de uma reforma da Previdência mais modesta, diz o jornal. Os líderes estão interessados é na opinião dos eleitores, com quem irão se defrontar em outubro de 2018. A prioridade passou a ser a própria sobrevivência política. 

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Entre pontos que podem não ser aprovados como no projeto original, a coluna do jornal cita limite de 65 anos para mulheres e trabalhadores rurais, desvinculação de benefícios de idosos e deficientes ao mínimo e regra de transição aos 50 anos. Em outro texto, o jornal destaca que a exclusão dos servidores estaduais e municipais deixará de fora da reforma 29,3% do déficit previdenciário.

Já de acordo com economistas especializados em gestão pública e temas previdenciários receberam com “preocupação” a decisão do governo de excluir Estados e municípios da Reforma da Previdência, informa o Estadão. No balanço geral, a União cedeu, mais uma vez, à pressão dos servidores públicos. Ao mesmo tempo, avaliam que faltou bom senso em relação à situação financeira dos Estados, fragilizada pelos gastos previdenciários. Criticou-se ainda o fato de o governo não levar em consideração que a mudança de rota vai ser mal recebida pelos trabalhadores da iniciativa privada. 

O argumento apresentado pelo presidente Michel Temer ao anunciar a decisão não foi bem recebido pela maioria dos especialistas. Temer disse que a União excluiu servidores municipais e estaduais da reforma para “obedecer a autonomia” dos demais entes da federação.