Após corte de perspectiva

Líder do governo diz que agências de classificação “não têm nada que se meterem no Brasil”

"Essa crise, em certa medida é forjada. Enquanto a agência fica com essas firulas, a população está consumindo. Elas prestam um desserviço ao Brasil, não têm que ficar dando pitaco na vida interna do Brasil", afirmou o deputado José Guimarães

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SÃO PAULO – Além da reação bem forte dos mercados ontem, o corte na perspectiva do rating do Brasil de estável para negativa pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s gerou reações no mundo político. 

Uma das falas de destaque foi do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), que mostrou um certo menosprezo com o papel da agência e chamou de “firulas” as decisões da agência sobre o Brasil, segundo informações do jornal O Globo

Essas agências não têm nada que se meterem no Brasil, deviam estar preocupadas com a vida delas, não com o Brasil. Essa crise, em certa medida é forjada. Enquanto a agência fica com essas firulas, a população está consumindo. Elas prestam um desserviço ao Brasil, não têm que ficar dando pitaco na vida interna do Brasil. Essas análises não deveriam nem ser levadas em conta, isso não tem a menor importância – disse o líder do governo”, afirma.

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Para Guimarães, a piora na perspectiva na perspectiva é fruto de sensacionalismo especulativo. “A ditadura do mercado, os especuladores ficam ganhando dinheiro às custas da especulação financeira. Essa mão invisível do mercado tem que um dia acabar. Essas agências ficam criando sensacionalismo com o único objetivo de ganhar mais dinheiro. O mundo hoje vive às custas da especulação financeira”, afirmou.

Enquanto isso, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, ao ser perguntado sobre a revisão da perspectiva do rating, disse acreditar que o Brasil vai sair da situação de dificuldade econômica atual. Ele declarou que o país tem uma economia forte, “uma das maiores economias do mundo”.

“Já vivemos situações melhores, piores, situações onde a economia brasileira flutua. Vamos sair, sim, dessas situações de dificuldade, mais fortes, mais vigorosos, preservando um ritmo de crescimento econômico, e geração de emprego e trabalho”, afirmou o ministro, após participar do lançamento do site Dialoga Brasil, ao lado da presidente Dilma Rousseff. 

Já o senador Romero Jucá (PMDB-RR) afirmou considerar um “fato positivo” a agência de classificação de risco Standard & Poor’s não ter rebaixado diretamente a nota do Brasil. Para o peemedebista, a decisão da S&P é mais um aviso, uma leitura do mercado que precisa ser levado em conta. Ele disse que é preciso que o governo proponha medidas estruturantes para estimular a economia do País.

“Cabe ao Executivo inverter o rumo dessa marcha que vai levar o País à bancarrota”, disse Jucá, que é economista, foi relator do Orçamento de 2015 e tem sido um dos parlamentares com maior trânsito com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, no Congresso.

Reação da oposição
Já o  líder da oposição no Congresso, deputado Pauderney Avelino (DEM-AM), disse que a perspectiva de rebaixamento da nota de classificação de risco do Brasil pela Standard & Poor’s mostra que a decisão do governo de reduzir a meta fiscal foi equivocada. “Mais uma vez, o governo Dilma/PT errou ao indicar que, mesmo num momento de forte crise, ampliaria os gastos, postura que contradiz a cartilha do bom senso, que recomenda corte de gastos quando em momentos de dificuldade”, afirmou, por meio de nota.

“O iminente rebaixamento mostra que o ministro (da Fazenda) Joaquim Levy tinha razão quando defendia a manutenção ou até o endurecimento das metas. Com o endividamento público crescente, era hora de apertar o cinto”, comentou o deputado. O líder chamou o ministro da Fazenda de “ilha isolada de razão no mar da irresponsabilidade petista”, afirmou.  

Já o ex-presidente do PSDB de Minas, deputado Marcus Pestana, diz que a avaliação é uma dura realidade. “A presidente Dilma vive em outro planeta. A S&P vive na terra, e não em Marte, se baseia na realidade para emitir suas avaliações para os investidores. Enquanto isso a princesa alienada, na sua mais completa solidão, passa a criar teorias da conspiração como culpar a Lava-Jato pela queda do PIB”, afirmou. 

(Com Agência Brasil e Agência Estado)