Publicidade
O deputado Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara dos Deputados, fez um apelo nesta quarta-feira, 3, para que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), paute propostas de emenda à Constituição (PECs) contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e anunciou apoio a uma PEC da “segurança jurídica do impeachment”, em reação à decisão do ministro do STF Gilmar Mendes que dificulta a deposição de integrantes da Corte.
Zucco disse que apoia que a Câmara paute, além dessa proposta que está em fase de coleta de assinaturas, a PEC das decisões monocráticas e outra proposição que cria mandatos para ministros do STF.

Novo quer PEC para barrar decisão de Gilmar sobre impeachment de ministros do STF
“Esta PEC é um meio para reestabelecer a normalidade e equilíbrio entre os Poderes”, enfatizou Marcel van Hattem (Novo-RS), líder do Novo na Câmara

Oposição reage à decisão de Gilmar e articula PEC para retomar poder de impeachment
Senadores querem restabelecer regras atuais e acusam a Corte de interferir em prerrogativas do Parlamento
No caso da PEC da “segurança jurídica do impeachment”, a proposta passou pela elaboração de Nikolas Ferreira (PL-MG) e outros parlamentares oposicionistas.
Segundo Zucco, o texto coloca na Constituição a possibilidade de que qualquer pessoa possa apresentar pedido de impeachment e cria a possibilidade de abertura automática do processo.
Se aprovada, essa PEC vai permitir que o processo de impeachment contra um ministro do Supremo seja automaticamente aberto caso um pedido tenha o apoio de 3/5, ou seja, 49 dos 81 senadores. Além desses dois dispositivos, o texto dá competência exclusiva ao Senado para processar e julgar ministros da Corte, sem participação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O Novo já formulou uma PEC similar neste momento na Câmara e também coleta assinaturas de parlamentares.
“Ou este Congresso responde à altura ou tragam as chaves e fechem a Casa do povo”, disse Zucco. Acompanharam o pronunciamento outros deputados e senadores da oposição, que também protestaram. “Não podemos abrir mão de uma prerrogativa que é essencial para o Senado da República, para os Estados da Federação e para o povo brasileiro”, afirmou Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado.
A liminar apresentada por Gilmar nesta quarta-feira, 3, retirou de “todo cidadão” o direito de denunciar um crime de responsabilidade contra um ministro do STF. Segundo a decisão do decano, a denúncia caberá somente à PGR.
Além disso, o quórum para o afastamento de um ministro foi alterado para dois terços do Senado (54 dos 81). Até então, o processo de impedimento de um juiz do STF avançava por maioria simples dos votos.
Continua depois da publicidade
“A prática do impeachment de ministros, quando utilizada de forma abusiva ou instrumentalizada, não se limita a um ataque a indivíduos, mas se configura como um ataque à própria estrutura do Estado de Direito”, argumentou Gilmar.