Entrevista

Liberal na economia, conservador nos investimentos: por que João Amoêdo não investe em ações

Candidato à presidência derrotado pelo Partido Novo declarou patrimônio de R$ 425 milhões e investe 51% em renda fixa

SÃO PAULO – Quinto candidato mais votado em sua estréia em eleições presidenciais, o empresário João Amoêdo (Novo) ficou conhecido na disputa não só pelo discurso liberal em defesa do enxugamento da máquina estatal e do combate aos privilégios no setor público, mas também pelo tamanho do patrimônio declarado junto à Justiça Eleitoral: R$ 425.066.985,46, de longe o maior entre todos os presidenciáveis.

Na época, também chamou atenção dos investidores o fato de mais da metade estar investida em aplicações de renda fixa, perfil provavelmente mais conservador do que se imaginaria para o executivo que fez carreira no setor bancário, com passagem no Citibank e no BBA, chegando ao posto de conselheiro e vice-presidente do Unibanco.

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De acordo com a declaração encaminhada à Justiça Eleitoral, o candidato derrotado pelo Partido Novo mantinha R$ 217.538.262,19 em investimentos de renda fixa, o que lhe rendia uma “mesada” de R$ 1 milhão, já descontando os impostos – valor que poderia ser ainda maior dependendo do investimento em renda variável escolhido. Apenas 13% estavam alocados em investimentos de renda variável.

Em entrevista concedida à InfoMoneyTV nesta quarta-feira (21), Amoêdo, porém, contou que o tom conservador não é a regra em seus investimentos e que a dedicação ao Partido Novo o fez se afastar de apostas mais ousadas no mercado financeiro. Confira o trecho no vídeo acima.

“Minhas decisões profissionais foram bem arrojadas, de sair em alguns momentos de empregos bastante estáveis e adquirir participação em empresas que estavam até com prejuízo, como foi o caso de uma financeira que eu adquiri e fiz meu maior ganho financeiro. Como empreendedor, sempre tive uma cabeça mais de avaliar e tomar risco”, afirmou.

“Depois, até pela dedicação de tempo ao Novo, resolvi ter uma carteira mais conservadora. Como eu não estava me dedicando e não podia me dedicar mesmo e estávamos com taxas de juros no Brasil muito elevadas, preferi ficar na renda fixa”, explicou o candidato à presidência escolhido por 2.679.745 eleitores.

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Durante a entrevista, o empresário ainda falou sobre suas preferências no mercado de ações: “Quando não é um negócio que eu estou participando da gestão ou do conselho, eu normalmente prefiro investir em grandes empresas ou através de fundos. Acho que é melhor, tem as pessoas que são especializadas”.

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Ministro arrojado

O perfil de Amoêdo, que hoje em dia combina liberalismo na economia e conservadorismo nos investimentos, gerou comparações com o de outro presidenciável milionário: Henrique Meirelles (MDB), que declarou R$ 377.496.700,70 à Justiça Eleitoral, o segundo maior patrimônio entre os candidatos ao Palácio do Planalto. Ao contrário do fundador do Partido Novo, o ex-ministro investia 75% de seus recursos em ações e outros 15,6% em fundos de longo prazo.

Mercado de capitais

Ao final do bate-papo, Amoêdo também reforçou suas posições pró-mercado e defendeu a importância do desenvolvimento deste segmento para a economia nacional.

“O Brasil precisa desenvolver o mercado de capitais. Inclusive, é a forma de a gente abrir um ambiente mais propício ao empreendedor. Vemos isso nos Estados Unidos, quantas empresas aparecem no fundo da garagem e com o mercado de capitais conseguem se desenvolver”, disse.

“A gente não precisa ter um BNDES para fazer investimentos, pode ter mercado de capitais. É uma forma saudável de dar transparência, inclusive vai ser determinante para que a gente possa caminhar com a privatização de algumas grandes empresas brasileiras, fazendo com que elas se tornem como são as grandes empresas americanas, que são corporações em que você não tem um grande acionista liderando, mas um corpo técnico e o mercado divide o controle”, argumentou Amoêdo.

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