Invasões em Brasília: 89% condenam ataques de 8 de Janeiro, diz pesquisa

Relação de Jair Bolsonaro com os atos divide eleitores, mas especialista vê partidarização menor do episódio do que com invasão ao Capitólio nos EUA

Marcos Mortari

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadem Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal (STF) e Palácio do Planalto, em 8 de janeiro de 2022, em Brasília (Foto: Agência Brasil)

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Passado um ano dos atos que culminaram na invasão às sedes dos Três Poderes, em Brasília, a esmagadora maioria dos eleitores brasileiros desaprova o episódio ocorrido em 8 de janeiro de 2022, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada neste domingo (7).

De acordo com o levantamento, 89% dos entrevistados disseram repudiar as cenas observadas naquela data. O contingente é um pouco menor do que o verificado em fevereiro do ano passado (94%), ainda no calor dos acontecimentos. De lá para cá, o percentual de eleitores que dizem aprovar as inéditas invasões oscilou de 4% para 6% – dentro do limite da margem de erro, que é de 2,2 pontos percentuais.

Segundo o levantamento, a aprovação aos atos é maior entre os eleitores da região Sul (9%), com renda familiar mensal de até 2 salários mínimos (7%), que votaram em Jair Bolsonaro (PL) nas últimas eleições presidenciais (11%) e que avaliam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de forma negativa (13%).

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Já a desaprovação é maior entre eleitores do Nordeste (91%), com nível de escolaridade a partir do Ensino Superior incompleto (91%), renda familiar mensal acima de 5 salários mínimos (91%), que declaram voto em Lula (94%) e que avaliam positivamente a atual administração (93%).

Em todos os recortes do eleitorado oferecidos pela Genial/Quaest, os percentuais de desaprovação aos atos sofreram uma queda, ainda que em muitos casos dentro da margem. Já no caso da aprovação permaneceram estáveis apenas os percentuais para eleitores do Centro-Oeste/Norte (6%), com renda familiar superior a 5 salários (5%).

As flutuações nos números, porém, não representam uma mudança de paradigma. “A rejeição aos atos do 8/1 mostra a resistência da democracia brasileira. Diante de tanta polarização, é de se celebrar que o país não tenha caído na armadilha da politização da violência institucional”, ressalta o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest.

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Embora reconheça semelhanças entre o 8 de Janeiro e a invasão ao Capitólio, sede do Congresso nos Estados Unidos, Nunes destaca que o caso brasileiro marca maior resiliência do repúdio aos atos sob o efeito da passagem do tempo.

“Dados de pesquisas YouGov mostram que em janeiro de 2021, logo depois da invasão do Capitólio, 9% dos americanos aprovavam fortemente os atentados (no Brasil foram 4%). Em janeiro de 2022, um ano depois, esse percentual passou para 14% (no Brasil, chegou a 6%, menos da metade), e em janeiro de 2023 chegou a 20%. Só entre os eleitores republicanos, 32% apoiavam a invasão que tentou impedir a confirmação de Joe Biden como presidente dois anos depois”, compara.

Autor do livro “Biografia do abismo – como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil”, escrito em parceria com o jornalista e analista político Thomas Traumann, o especialista pontua que as narrativas em torno dos atos nos Estados Unidos foram mais partidarizadas do que no Brasil.

Segundo a Genial/Quaest, em um intervalo de pouco menos e um ano, caiu de 51% para 47% o percentual de eleitores que entendem que Bolsonaro teve algum tipo de influência sobre os atos de 8 de janeiro. Já o grupo dos que pensam o contrário subiu de 38% para 43%. No caso de eleitores da região Sul, com nível de escolaridade e renda mais elevados e avaliação negativa do atual governo, a defesa a Bolsonaro é majoritária.

O levantamento também mostrou que, no mesmo período, caiu de 42% para 37% o percentual de entrevistados que entendem que os participantes das invasões em Brasília representam os eleitores de Bolsonaro. Por outro lado, passou de 49% para 51% grupo daqueles que os veem como radicais alheios ao bolsonarismo.

Entre os que dizem ter votado em Lula no segundo turno, 59% associam os participantes dos atos ao eleitorado de Bolsonaro. Já entre aqueles que apoiaram a reeleição de Bolsonaro, 81% entendem o contrário.

A Genial/Quaest ouviu 2.012 brasileiros em idade para votar, residentes das 5 as regiões, entre os dias 14 e 18 de dezembro de 2023. O nível de confiança do levantamento é de 95% – o que significa dizer que, se ele tivesse sido realizado mais de uma vez dentro de condições e período de coleta idênticos, esta seria a probabilidade de o resultado se repetir dentro do limite da margem de erro.

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Marcos Mortari

Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.