Concessões

Intenção do Paraná em retomar concessões deve prejudicar a CCR

Medida estudada pelo governo paranaense eleva percepção de risco em relação ao setor e pressiona ações da CCR

SÃO PAULO – A CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias), empresa que detém importantes concessões de rodovias no país, poderá ser prejudicada pela pretensão do governo do Estado do Paraná de desapropriar cinco concessões rodoviárias no estado.
Entre elas, estaria incluída a Rodonorte, que pertence à CCR e que pode representar cerca de 10% da receita projetada para a companhia em 2004, segundo estimativas de analistas de mercado.

Requião anuncia intenção de reestatizar

O governador paranaense Roberto Requião assinou na última quinta-feira vários decretos confirmando a intenção do estado em retomar cinco concessões rodoviárias, entre as quais a Rodonorte.
De acordo com o governo estadual, a medida se basearia no interesse público, porém pode ser encarada como uma ação tomada em caráter eleitoreiro, já que 2004 é ano de eleições municipais.
Se for realizada, a medida eleva o risco político de investimentos no Paraná no curto prazo, considerando que o contrato assinado entre o governo estadual e a CCR não inclui uma possibilidade de “desprivatização” em função de motivos relacionados ao interesse público.

Pactual reduz valor de mercado da CCR em caso de acordo

Em caso de retomada da concessão da Rodonorte pelo Estado do Paraná, o governo estadual terá que indenizar a CCR em no mínimo R$ 204 milhões, o valor estimado da participação de 75% que a CCR detém na Rodonorte. No entanto, tendo em vista a perda de lucros futuros, este valor deverá ser bastante elevado.
No entanto, tendo em vista a maior percepção de risco que o caso traz ao mercado e estimando prováveis perdas para a empresa considerando os impactos de eventuais acordos com o Estado do Paraná, os analistas do Banco Pactual reduziram nesta sexta-feira de R$ 30,4 para R$ 29,1 o preço alvo para um lote de mil ações da CCR em dezembro de 2004.

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Ações encerra em queda

As ações ordinárias da CCR (CCRO3) seguem em queda de 3,06% nesta sexta-feira, cotadas a R$ 25,00. No ano, os papéis acumulam desvalorização de 3,10%, contra uma alta de 7,55% do Ibovespa no mesmo período.