Impeachment

Impeachment, intervenção militar ou nenhum dos dois; entenda a manifestação do dia 15

Ato do dia 15 reuniu uma multidão de insatisfeitos com o governo Dilma, mas contradições internas ficam expostas nas ruas

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SÃO PAULO – De dentro do metrô às 13h já se ouviam as palavras de ordem dos manifestantes. Era uma multidão verde e amarela que lembrava os dias de Copa do Mundo em 2014, embora talvez ainda mais barulhenta. O grupo não entrou em nenhum estádio, mas subiu as escadas da estação Consolação para se juntar a milhares na Avenida Paulista. O que pediam os manifestantes? Muitas vezes, as motivações eram tão diversas que seria difícil ver aquele grupo reunido para qualquer outra ocasião. 

“A Dilma não tem mais liderança, não tem mais apoio político e a gente vai sofrer muito se ela continuar este governo”, diz o bancário Jaime, já à saída do metrô. Ele quer o impeachment da presidente, insinuando que o governo acoberta muito do que foi descoberto nas investigações da Operação Lava Jato, inclusive uma suposta participação ou omissão de Dilma Rousseff no esquema. 

Circulando pela Paulista, no entanto, era possível ver que a bandeira do impedimento não era a única levantada nem mesmo era consenso entre os manifestantes. “Eu pessoalmente não estou aqui pelo impeachment, estou aqui para mostrar que o povo realmente não está satisfeito, principalmente com os atos de corrupção”, explica a advogada Bianca Silva Petroforte. Para ela, as pessoas precisam ir às ruas para pressionar o governo a realizar um combate mais severo à corrupção.

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Adiante, juntavam-se aos coros das pessoas que gritavam “fora Dilma” ou “fora PT”, carros de som de diversos movimentos. Entre eles, vários veículos e tendas do partido Soliedariedade podiam ser observados, mesmo depois das pessoas nas redes sociais fazerem pressão para a não participação de partidos no protesto.  

Os membros do Solidariedade coletavam assinaturas para o abaixo-assinado pedindo o impeachment da presidente e a renúncia do vice-presidente Michel Temer aberto na sexta-feira. Uma das pessoas que colhiam assinaturas, a secretária Luciana destoa dos demais manifestantes e diz que a situação econômica do País incomoda mais que a corrupção. “Um pai de família ganha um salário-mínimo muito baixo para sustentar toda a família e às vezes ela [Dilma] se preocupa só com o pessoal do Nordeste, mas e quem mora na grande metrópole e também precisa?”, questiona. 

O presidente estadual do partido em São Paulo, David Martins de Carvalho, também compareceu e afirmou ao InfoMoney que o Solidariedade conseguiu 70 mil assinaturas para o pedido de impeachment. Ele também afirma que outros partidos da oposição também querem tirar Dilma do poder, mas apenas o SDD teve “coragem” de fazer isso. 

Apesar de comemorar a forte mobilização do dia, Carvalho disse se incomodar com a presença de manifestantes pedindo pela intervenção militar. O carro S.O.S. Forças Armadas estava perto do Masp e de lá ouviram-se gritos de apoio ao período da ditadura militar. De frente para o grupo, estava o carro de som do movimento liderado por Kim Kataguiri e Renan Henrique Ferreira dos Santos, o Brasil Livre, que chegou a anunciar que a intervenção que eles pediam era civil em um determinado momento. 

Mesmo com tantas divergências, novas manifestações estão à caminho, segundo Kataguiri. A questão do quanto pessoas tão diferentes poderão continuar se manifestando juntos contra a presidente fica em aberto, mas para o cientista político da FGV, Marco Antônio Carvalho Teixeira, a crítica ao governo deve continuar a trazer esses grupos para as ruas, mesmo com tantas diferenças. 

“Até o governo anunciar medidas efetivas como uma reforma ministerial, a mobilização deve continuar”, diz.