MERCADOS AO VIVO Índice Dow Jones ultrapassa os 30 mil pontos pela primeira vez na história

Índice Dow Jones ultrapassa os 30 mil pontos pela primeira vez na história

Como sempre...

Impeachment de Dilma com permanência de Temer coloca Aécio e Serra em disputa

Tensionamento da relação café com leite contemporânea, que guia boa parte das atividades do PSDB, chegou a um nível tão elevado que já provocou um racha no partido

Aprenda a investir na bolsa

SÃO PAULO – Enquanto as discussões sobre impeachment voltam a ganhar força na medida em que o governo apresenta mais dificuldades em administrar as crises econômica e política, movimentações na oposição já apontam para a evolução de uma disputa interna antiga entre tucanos paulistas e mineiros. De um lado do ringue, apresenta-se o senador Aécio Neves (PSDB), recentemente derrotado pela presidente Dilma Rousseff em disputa eleitoral. Na outra ponta, o incansável ex-governador paulista e também senador José Serra (PSDB-SP) cava relações que possam garantir, quem sabe, uma nova chance para ocupar o posto máximo da república.

Conforme afirmou o jornalista Kennedy Alencar em comentário à rádio CBN nesta sexta-feira, o tensionamento da relação café com leite contemporânea que guia boa parte das atividades do PSDB chegou a um nível tão elevado que já provocou um racha no partido com relação ao possível impeachment de Dilma Rousseff. Se, por um lado, para o mineiro o cenário ideal seria o afastamento da presidente e seu vice, Michel Temer, acompanhado da convocação de novas eleições, ao paulista interessa a permanência do peemedebista.

Para Aécio, seria indispensável que Dilma e Temer saíssem juntos. Quem assumiria nessa situação seria o presidente da Câmara dos Deputados, no momento, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), até a convocação de novas eleições. Com o recall da última disputa poucos meses atrás, Aécio não teria como ser vetado pelo PSDB e seria uma opção com mais chances que seus adversários internos. A opinião foi dada pelo cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas Marco Teixeira, entrevistado pelo programa Na Real na TV, do InfoMoney.

Aprenda a investir na bolsa

Caso as próximas eleições só ocorram em 2018, há chances de Serra crescer e entrar com força no páreo ou até para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Por isso, talvez o tempo – ou a falta dele para os outros dois que disputam o mesmo espaço – seja vital para Aécio Neves em uma ofensiva pelo comando do Executivo. Foi neste contexto que o discurso curioso de Michel Temer acabou não agradando o tucano mineiro, já que um cenário com o vice assumindo suspenderia novas eleições. Conforme ressaltou Kennedy Alencar, os líderes do partido na Câmara e no Senado, respectivamente Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) – muito ligados a Aécio -, defendem que as manifestações do próximo dia 16 de agosto incluam na agenda do movimento o pedido por eleições.

“A posição defendida pela ala do PSDB ligada ao Aécio está em minoria no campo dos que pregam, hoje, em Brasília, a hipótese de saída de Dilma do poder”, avaliou o jornalista, lembrando a posição de Fiesp e Firjan à retórica de Temer, além de alas rebeldes do PMDB da Câmara. Com isso, restou menos margem de apelo excetuando os organizadores das manifestações.

Para entender melhor o conflito interno no PSDB, é preciso lembrar das duas vertentes com mais chances de levar Dilma a um possível impeachment. São elas: a desaprovação de suas contas referentes a 2014 no Tribunal de Contas da União e uma rejeição formal das mesmas no Congresso; ou um eventual processo no Tribunal Superior Eleitoral que leve em conta uma possível irregularidade na campanha presidencial – mais atrasado e menos provável. O primeiro cenário daria possibilidades claras de Dilma sofrer impeachment com a alegação de crime de responsabilidade durante a gestão anterior e Temer ser poupado. A segunda hipótese é a que mais agradaria Aécio, já que atingiria a chapa Dilma-Temer e dificilmente pouparia o vice. Para o mineiro, o strike é o que interessa: nenhum pino pode sobrar.

Nesta semana, a imprensa noticiou que os dois senadores teriam se reunido com o presidente da casa Renan Calheiros (PMDB-AL) e que o impeachment teria sido assunto. A conclusão teria sido de que o processo ainda não está maduro. Venceu o discurso de Aécio com um ator mais contido do que Eduardo Cunha, por exemplo. Renan pode ganhar relevância no trato do governo já que o presidente da Câmara anunciou rompimento e embarque na oposição.

Por fim, na véspera, a jornalista Mônica Bergamo disse que o vice-presidente da República Michel Temer já estaria se aproximando do senador José Serra para uma possível “dobradinha” em prol de governabilidade futura. De acordo com a jornalista, a aliança estaria chamando atenção tanto no PMDB quanto no PSDB e é entendida como um investimento. Em caso de impeachment de Dilma, o tucano se transformaria em ministro da Fazenda, o que poderia favorecer a governabilidade do governo com o apoio de parcela do PSDB. A estratégia de Serra seria, a partir de uma das pastas mais importantes do Executivo, lançar-se candidato à presidência em 2018.

Na mesma direção, Alckmin fez elogios a Temer, definindo-o como “um grande homem” que “trabalha pelo bem comum”. Em discurso feito na quarta-feira após reunião com Dilma, o vice afirmou que o país precisa de “alguém que tenha capacidade de reunificar a todos”. “Não vamos ignorar que a situação é razoavelmente grave, não tenho dúvida que é grave, e é grave porque há uma crise política se ensaiando, há uma crise econômica que está precisando ser ajustada, mas, para tanto, é preciso contar com o Congresso Nacional. (…) Como articulador político do governo, quero fazer esse apelo”, disse Temer a jornalistas.

PUBLICIDADE