Impasse sobre escolha de relator adia instalação da CPI da Braskem no Senado

Primeira reunião da comissão parlamentar que investigará danos ambientais causados em Maceió (AL) pelas operações da petroquímica teve de ser adiada; Renan Calheiros (MDB) quer ser relator, mas não há consenso

Fábio Matos

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), autor do pedido para a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a responsabilidade da Braskem (BRKM5) no afundamento do solo em Maceió, no estado de Alagoas (Foto: Agência Senado)

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Em meio a divergências entre os próprios integrantes da comissão, a primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem (BRKM5), no Senado, teve de ser suspensa na manhã desta quarta-feira (21), sem um consenso sobre o nome indicado para a relatoria e o foco das investigações.

A CPI da Braskem deve investigar os danos ambientais causados em Maceió (AL) pelas operações da petroquímica na extração de sal-gema.

Em 2018, um projeto de extração de sal liderado pela companhia causou o colapso do solo na capital de Alagoas, o que levou cerca de 40 mil pessoas a deixarem suas casas. Mais de 14 mil imóveis foram condenados em cinco bairros da cidade. O afundamento do solo abriu rachaduras em ruas, prédios e casas.

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A CPI do Senado opõe duas das principais lideranças políticas do estado: o senador Renan Calheiros (MDB), aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP). O Palácio do Planalto vê a comissão com ressalvas.

“Essa CPI não será específica sobre a cidade de Maceió ou sobre Alagoas. Ela tem de ser específica sobre o procedimento [extração de sal-gema]. Não se trata somente de indenização. Há questões muito mais profundas que serão discutidas aqui”, afirmou o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), também aliado do governo Lula.

A primeira reunião do colegiado estava marcada para as 10 horas desta quarta, mas foi adiada, em princípio, para fim da tarde. Os senadores se reuniram em uma sala reservada por mais de uma hora para tentar aparar as arestas, sem sucesso. Ainda não há garantia de que a reunião ocorra hoje.

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Um dos focos de atrito é a possível indicação de Calheiros para a relatoria da comissão – ele é adversário político de Lira. Alguns senadores defendem que o relator da CPI não seja do estado de Alagoas, o que, segundo eles, daria maior isenção aos trabalhos. Renan, autor do pedido de instalação da CPI, não aceita e quer ser o indicado.

Na terça-feira (20), em uma negociação liderada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), seis partidos indicaram 11 titulares para a CPI – MDB, PSD, União Brasil, PDT, PSB e PL. A expectativa dos parlamentares é a de que a comissão comece a funcionar na semana que vem.

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Fábio Matos

Jornalista formado pela Cásper Líbero, é pós-graduado em marketing político e propaganda eleitoral pela USP. Trabalhou no site da ESPN, pelo qual foi à China para cobrir a Olimpíada de Pequim, em 2008. Além do InfoMoney, teve passagens por Metrópoles, O Antagonista, iG e Terra, cobrindo política e economia. Como assessor de imprensa, atuou na Câmara dos Deputados e no Ministério da Cultura. É autor dos livros “Dias: a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960” e “20 Jogos Eternos do São Paulo”.