Política

Gravações mostram fraude na CPI da Petrobras; PSDB entrará com representação no Senado

Aécio Neves afirmou que, após denúncias de que os depoimentos da CPI da Petrobras teria o objetivo de não pegar os corruptos, seu partido entrará com representação no Conselho de Ética do Senado

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SÃO PAULO – Após as denúncias publicadas pela revista Veja no sábado de que os depoimentos da CPI da Petrobras (PETR3;PETR4) teriam o objetivo de não pegar os corruptos, o candidato à presidência da república pelo PSDB, Aécio Neves, disse que seu partido entrará com representação no Conselho de Ética do Senado. 

“Estou cauteloso, me surpreendi com a densidade, com envolvimento de senadores, é algo grave. Conversei com lideranças do partido para desenhar quais medidas judiciais serão tomadas”, afirmou, dizendo que amanhã devem entrar com representação na Comissão de Ética do Senado, e estudam a possibilidade de outras representações na comissão de ética da presidência da República e também junto à Petrobras.

“Eu reservo o direito da dúvida, mas é um caso de extrema gravidade, tem que explicar o que aconteceu, mandando perguntas com respostas definidas, uma grande encenação, um enorme desrespeito ao Congresso e tem que dar explicações. Punições têm que ocorrer”.

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O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, defendeu a punição dos envolvidos em irregularidades e disse ainda que a encenação não esconderá os malfeitos realizados na estatal, conforme destacado também pela revista Veja.

“Pode se fazer o media training e o que for, mas os resultados da Petrobras estão lá. A Petrobras perdeu metade do valor de mercado que tinha, está quatro vezes mais endividada, as encomendas estão ficando sempre para depois”, afirmou. “Não vai se conseguir numa democracia, com os meios de comunicação livres, com os órgãos de fiscalização ativados para fazer o seu papel, esconder os erros. Os erros vão ser revelados e quem errou deve pagar. A gente tem que salvar a Petrobras dessa situação em que a colocaram porque ela é muito importante para o futuro do Brasil”, 

O que aconteceu
Um vídeo a que a Revista Veja teve acesso revela que houve uma farsa na CPI da Petrobras. Segundo a denúncia exclusiva, a CPI foi criada com o objetivo de não pegar os corruptos. 

Ainda assim, o governo e a liderança do PT decidiram não correr riscos e montaram uma fraude que consistia em passar antes aos investigados as perguntas que lhes seriam feitas pelos senadores.

Com vinte minutos de duração, segundo a revista, o vídeo mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e um terceiro personagem ainda desconhecido.

A decupagem do vídeo, segundo a publicação, mostra que o encontro foi registrado por alguém que participava da reunião ou estava na sala enquanto ela ocorria.

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A revista descobriu que a gravação foi feita com uma caneta dotada de uma microcâmera. Segundo a revista, a fraude consistia em obter dos parlamentares da CPI da Petrobras as perguntas que eles fariam aos investigados e, de posse delas, treiná-los para responder a elas.

Depois que o ex-presidente Lula mandou o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli parar de confrontar a presidente Dilma Rousseff, Cerveró se tornou o principal motivo de apreensão do governo porque ameaçara desmentir a presidente diante dos parlamentares.

Essa ameaça jamais se consumou. No vídeo, uma das falas de Barrocas desfaz o mistério: ele insiste em saber se estava tudo certo para que chegassem às mãos de Cerveró as perguntas que lhe seriam feitas na CPI.

Outros personagens citados como peças-chave da transação são Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República; Marco Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; e Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT.

De acordo com a denúncia, a eles coube fazer muitas das perguntas que alimentariam a cadeia de ilegalidades entre investigados e investigadores. Barrocas conta também que o senador Delcídio Amaral era peça-chave da operação para manter Cerveró sob o cabresto governista, porque o senador foi padrinho político do ex-diretor da Petrobras.

(Com Agência Estado)