Repercussão

FT: “Brasília se tornou versão tropical de Jogos Vorazes”

Em explicação à alusão, o editor diz que os políticos brasileiros "estão agora mais preocupados em salvar suas próprias peles do que lidar com uma preocupação mais premente: a economia"

SÃO PAULO – Palco de um clima de forte instabilidade política em meio à ausência de governabilidade para a gestão Dilma Rousseff, Brasília foi alvo de uma comparação inusitada nesta quinta-feira (3), um dia após o presidente da Câmara dos Deputados anunciar a abertura de um processo de impeachment contra a presidente brasileira. Na avaliação de Jean Paul Rathbone, editor de América Latina do jornal britânico Financial Times, nossa capital federal seria uma espécie de “versão tropical dos Jogos Vorazes”, em referência à famosa série de filmes em que os personagens brigam para sobreviver em meio a um cenário hostil.

Em explicação à alusão, o editor diz que os políticos brasileiros “estão agora mais preocupados em salvar suas próprias peles do que lidar com uma preocupação mais premente: a economia”. Ele lembra ainda de “razões políticas” para a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma, em meio ao avanço das disputas entre o governo e Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O presidente da Câmara luta contra o avanço de um processo contra si na casa por suposta quebra de decoro parlamentar, ao ter negado possuir contas no exterior.

“A razão imediata para o possível impeachment é a acusação de que seu governo maquiou as contas públicas (as chamadas ‘pedaladas fiscais’) – um assunto técnico. Mas a razão para que o processo do impeachment tenha sido lançado agora é puramente política”, escrever o editor, que se mantém pessimista sobre a situação vivida pelos brasileiros. “A economia está sofrendo sua pior recessão desde 1930, O Congresso está fortemente afetado pela chamada operação Lava Jato, que investiga o escândalo de corrupção na Petrobras – e um senador foi preso na semana passada. E agora foram abertos os procedimentos para dar início ao impeachment da presidente, Dilma Rousseff. Pode ficar pior? A resposta curta é: sim”. Rathbone acha pouco provável que o processo comece antes de fevereiro, e levanta a hipótese de Cunha não ser mais o comandante da Câmara até lá.

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