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Discursos

Foi dormir? Veja o que falaram Collor, Serra e mais 7 senadores nesta madrugada

Entre discursos contra e a favor do impeachment, Collor falou mais sobre o processo que sofreu em 1992 e não declarou o seu voto

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SÃO PAULO – Assim como ocorreu na Câmara, foi inevitável que a fase de discursos no Senado se estendesse noite adentro nesta quinta-feira (12), levando a votação do processo de impeachment no plenário para a manhã de hoje.

Principalmente por ser um dia de semana, muitas pessoas tiveram que abrir mão de acompanhar os discursos durante a madrugada. Por isso, o InfoMoney separou alguns dos principais discursos ocorridos nesta noite, confira abaixo:

Fernando Collor
Ainda antes da meia-noite, o ex-presidente Fernando Collor, que sofreu um processo de impeachment em 1992, foi o único que não deixou claro qual será seu voto, apesar de deixar “dicas” de que apoia o impeachment. Em sua fala, o senador dedicou a maior parte do tempo para lembrar o processo de impeachment do qual ele próprio foi alvo

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“Chegamos ao ápice de todas as crises, as ruínas de um governo e de um país. Este é o motivo por que discutimos crimes de responsabilidade. O maior crime de responsabilidade está na irresponsabilidade pelo desleixo com a política. Sucessivos e acachapantes déficits sucessivos. É crime de responsabilidade a mera irresponsabilidade com o país”, afirmou.

Collor se disse contrariado, pois nas vezes em que esteve com a presidente ou integrantes do governo, teve seus conselhos ignorados. “Fui a diversos interlocutores da presidente falar dos erros que antevia. Renegaram minha experiência”, queixou-se.

O senador lembrou, em tom crítico, que o processo contra ele andou muito mais rápido do que o atual. “O rito é o mesmo. O ritmo e o rigor não. O mesmo parecer de 92 [da admissibilidade] continha meia página e dois parágrafos”, disse. “Fui instado a renunciar na suposição de que acusações contra mim eram verdadeiras. Dois anos depois fui absolvido. Desculpem-me por voltar no tempo. A história me reservou esse momento. Devo vive-lo no estrito cumprimento do dever”, completou.

Paulo Bauer
O senador Paulo Bauer (PSDB-SC) declarou voto em favor do afastamento da presidente e disse que o governo Dilma é “surdo” e “mudo”. “O governo da presidente Dilma é fraco, surdo, mudo e talvez até cego porque não ouviu a voz das ruas, não deu atenção às grandes manifestações populares, não mandou para o Congresso propostas de mudanças que o Brasil está precisando”, afirmou o senador.

“Não ouviu a sociedade e não produziu providências”, disse. Para Bauer, os senadores precisam “resgatar a esperança” nos corações dos brasileiros. “Houve crime de responsabilidade e há de ocorrer o processo de julgamento pelo crime praticado”, disse.

Omar Aziz
Ex-governador do Amazonas, o senador Omar Aziz (PSD-AM) declarou voto favorável à admissibilidade da denúncia contra a presidente Dilma, mas fez um discurso bastante crítico a todo o processo. “Não acredito que isso estaria acontecendo se Dilma tivesse popularidade. Ela poderia estar pedalando a manhã toda”, disse, em referência às chamadas pedaladas fiscais que embasam o pedido.

“O impedimento da presidente não começou com o Eduardo Cunha, mas logo após as eleições de 2014, quando este Senado cometeu uma irregularidade ao mudar a meta fiscal”, afirmou.

João Capiberibe
Reconhecendo que a presidente Dilma Rousseff deve ser afastada pelo Senado nesta quinta-feira, o senador João Capiberibe (PSB-AP) anunciou que votará pelo arquivamento do processo de impeachment contra a petista.

“O julgamento é politico. Esse processo nos empurra para confronto. E poderá inclusive comprometer as investigações [da Operação Lava Jato]”, sustentou. Para ele, impeachment de Dilma não é a solução para a crise. O senador afirmou que, pelas notícias, Temer “caminha para o fracasso” ao realizar o mesmo tipo de política que Dilma.

Fernando Bezerra Coelho
O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE) se posicionou favoravelmente ao impeachment. Seu discurso foi mais técnico, onde ele alegou que as manobras fiscais promovidas pelo governo ofenderam a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

“A presidente fez o contrário do que impõe a legislação. As operações de crédito, além de ilegais distorceram as estatísticas oficiais. Algo nocivo para a contabilidade pública, com subdimensionamento de R$ 40 bilhões na dívida da União”, disse.

Lindbergh Farias
Ao declarar seu voto contra o afastamento de Dilma, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que não se reconhecerá “um governo fruto de golpe”, comandado por Michel Temer, e que acredita que o pemedebista não permanecerá muito tempo como presidente, pois os próprios senadores mudarão seus votos no julgamento definitivo para tirá-lo do cargo.

“Não demorará. Daqui a três ou quatro meses, vamos colocar o governo Temer, esse impostor, para fora do Palácio do Planalto”, afirmou o senador. Ele apelou aos colegas para que “não se enganem”, pois o processo atual passará para a história “como um golpe parlamentar. Não manchem suas biografias”.

Gleisi Hoffmann
A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) se declarou contra o impeachment. Para ela, a destituição da presidente não é solução para a crise no país, mas sim o “agravamento dos problemas”. “Não há o que se esperar a não ser perdas de direitos e retrocesso”, disse sobre eventual governo do vice-presidente Michel Temer.

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Gleisi voltou a argumentar que diversos outros governantes editaram decretos orçamentários como os de Dilma que são questionados na denúncia contra ela. “Os pressupostos jurídicos que estão sendo usados hoje não valerão para mais ninguém. Está régua com que medem a presidente não medirá nenhum outro governante, nenhum outro partido. É para cancelar o resultado das eleições de 2014”, disse.

Walter Pinheiro
O senador Walter Pinheiro (sem partido-BA), que deixou o PT no fim de março após 30 anos de militância na sigla, anunciou que votará contra o afastamento da presidente Dilma. Ele defendeu a permanência da petista até outubro, para que seja realizada então uma nova eleição presidencial.

Para ele, Dilma e Michel Temer são “sócios” de um mesmo governo. “Estamos diante de um julgamento político, que deixa de lado qualquer questão sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Estão iludindo a população que, com a votação de hoje, vamos abrir a jornada da solução definitiva”, atacou.

José Serra
O senador José Serra (PSDB-SP), que deve integrar o governo de Michel Temer, defendeu o afastamento da presidente Dilma e colocou como prioridade para o país uma reforma política. “Nosso sistema eleitoral elege um monarca absoluto a cada quatro anos. A reforma política deveria ser a grande tarefa nos próximos meses. É um desafio fundamental da reconstrução nacional”, discursou no plenário.

Para Serra, não há demérito na constatação de que a perda de apoio político de Dilma é decisiva na queda de seu governo. “É preciso levar em conta os fatores políticos”, disse. “Os defensores da presidente martelam o refrão do golpe. Impeachment não é medida de exceção. É solução constitucional, cujos passos têm sido aceitos pelo STF”, defendeu. Serra apontou ainda que “o impeachment não representa o fim dos problemas do país, é o começo do começo para a reconstrução”.